Da vida, cheia de eventos,
Belos, tristes, comoventes,
Perfumados, bafientos,
Arrojados, indecentes.
Agradece à vida,
Teres recebido coragem,
A força investida,
De alcançar a outra margem.
A força de querer ser,
De estar ao pé de mim,
De me querer, enfim.
Liberdade para pensar,
Vontade de fazer,
Loucura, sobriedade, amar.
domingo, fevereiro 19, 2006
Soneto da solidão
Condição tua, minha, dele e dela,
Realidade não menos bela,
Quando buscada,
E encontrada.
Condição triste,
Se em nós existe,
A mágoa, o medo, a dor,
A perda do amor.
Felizes, contentes, estão,
Os que escolhem estar sós,
Sem dores nem dós.
E quem não está só,
De alguma maneira?
Na expiração derradeira.
Realidade não menos bela,
Quando buscada,
E encontrada.
Condição triste,
Se em nós existe,
A mágoa, o medo, a dor,
A perda do amor.
Felizes, contentes, estão,
Os que escolhem estar sós,
Sem dores nem dós.
E quem não está só,
De alguma maneira?
Na expiração derradeira.
domingo, fevereiro 05, 2006
DESENGANEM-SE OS QUE PENSAM QUE "AQUI DEL GAY" É FÁCIL...
Quando escrevi o "Aqui del Gay..." algumas pessoas parecem tê-lo entendido como uma crítica ao mundo homossexual, mas o que não entenderam foi que se tratava de uma melopeia, de uma lamentação, muitas vezes face à forma como eu próprio reajo ao que me é adverso.
Reacções de desânimo, baixa auto-estima, frustração, revolta, mas também reacções de autenticidade, sinceridade, consciência tranquila, respeito próprio.
Reacções de desânimo, baixa auto-estima, frustração, revolta, mas também reacções de autenticidade, sinceridade, consciência tranquila, respeito próprio.
Aqui del Gay...
As chalaças, as piadas, as bocas,
A sinceridade, o grito, a revolta,
As palavras loucas,
O desprezo auto-infligido, na volta,
É sintoma de fraquezas, não poucas.
A alegria, a sedução,
A disponibilidade e a prontidão.
A solidão e a coragem,
Colocados na margem.
O medo de magoar alguém,
A perda de outrém.
Choros de desdém,
Por não se ter ninguém.
Conforto, carinho,
Amor e beijinho,
Abraço apertado,
Coração exaltado.
Materialismo,
Coisas banais.
Lirismos,
Riquezas fulcrais.
Leituras, artes,
Brinquedos e devaneios.
Compras em muitas partes,
Encobrem os nossos receios.
A sinceridade, o grito, a revolta,
As palavras loucas,
O desprezo auto-infligido, na volta,
É sintoma de fraquezas, não poucas.
A alegria, a sedução,
A disponibilidade e a prontidão.
A solidão e a coragem,
Colocados na margem.
O medo de magoar alguém,
A perda de outrém.
Choros de desdém,
Por não se ter ninguém.
Conforto, carinho,
Amor e beijinho,
Abraço apertado,
Coração exaltado.
Materialismo,
Coisas banais.
Lirismos,
Riquezas fulcrais.
Leituras, artes,
Brinquedos e devaneios.
Compras em muitas partes,
Encobrem os nossos receios.
domingo, dezembro 11, 2005
COMPLEXO INDUSTRIAL DE SENSAÇÕES
O peso da solidão, a auto-estima baixa,
a carência e o excesso de afectos,
a ninfomania, o amor platónico,
o amor com sexo, o amor sem sexo, o sexo sem amor,
a mágoa, a traição, a lealdade, o isolamento,
a bebedeira social, a resignação,
a alegria, a realização,
a negação, a saudade...
Estados de espírito múltiplos
que podem instalar-se num único ser vivo
e alguns em simultâneo.
Que fazer com eles? Como realçar uns e anular os outros?
Como equilibrá-los para ninguém sofrer?
Era uma vez um amigo meu, muito amigo mesmo!
O meu amigo chama-se Tempo! Nasceu não se sabe onde, vive em todos os lados e inunda de controvérsias e certezas tudo e todos, em determinada altura do seu próprio percurso.
Esse meu amigo sentia tudo e muitas vezes não se dava conta de que sentia, pois não queria ver o quanto tinha errado, o quanto continuava a errar, o quanto tinha magoado e o quanto continuava a magoar, sobretudo a si mesmo.
Esse meu amigo não é, certamente, o único que vive em constante conflito interior, não é certamente o único a ter latentes alguns sentimentos de que não se dá conta.
Certo dia, o Tempo encontrou-se com o Espaço, outro filho da mãe que já viveu do melhor e do pior que a Vida pode dar.
A Vida é a jogadora do Mundo, o Mundo é o planeta em que decorrem as acções e vivem os peões Tempo e Espaço.
Como dizia atrás, certo dia o Tempo encontrou-se com o Espaço e disse-lhe.
- Eh, pá, nem imaginas como tenho andado ultimamente!
- Então, o que se passa? - inquiriu Espaço muito cúmplice e verdadeiramente preocupado.
- É a Vida que ultimamente tem posto à prova toda a minha própria existência! - respondeu Tempo com um certo peso no olhar.
- Sabes como ela é, essa Vida! Capaz do melhor e do pior!
- Pois, eu sei bem Espaço. É precisamente assim que me sinto, com o melhor e o pior das sensações em simultâneo.
- Sabes, Tempo, não és só tu que se sente assim, mas também tens que pensar que se assim não fosse não eras humano. O ser humano sente com intensidade todo o tipo de contrariedades e alegrias.
- Eu sei! - respondeu Tempo - Mas o que eu quero é aprender a viver com elas e seleccioná-las muito bem, porque nem todos elas podem existir umas com as outras.
- Isso é fácil!
- Ai sim, diz-me então Espaço, como é que faço para conseguir!
- Descontrai-te, não esperes demais de ti nem dos outros, aceita-te a ti e aos outros com todas as suas forças e fraquezas e reflecte sempre sobre aquilo que jamais gostarias que alguém te fizesse!
- Vou tentar, juro que vou tentar!...
Não é o que fazemos todos, ou pelo menos os que se preocupam muito para além do seu 'próprio umbigo'?
NATAL...
Mais um Natal e mais um acontecimento inconveniente que me fez sentir dividido.
Desta vez não foi a habitual sensação de ter que prescindir de um ente querido em troca de vários entes queridos, mas a saúde de um deles que me faz balançar.
Porque é que nem na doença as pessoas se tornam mais humildes, tolerantes, e reconhecem que quanto mais fecharem portas mais perdem o contacto com as pessoas que mais amam?
Enfim, que Natal é este que é festejado em nome do Amor mas que se pauta por amargura, mágoa e frustração?
Desta vez não foi a habitual sensação de ter que prescindir de um ente querido em troca de vários entes queridos, mas a saúde de um deles que me faz balançar.
Porque é que nem na doença as pessoas se tornam mais humildes, tolerantes, e reconhecem que quanto mais fecharem portas mais perdem o contacto com as pessoas que mais amam?
Enfim, que Natal é este que é festejado em nome do Amor mas que se pauta por amargura, mágoa e frustração?
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