quarta-feira, janeiro 24, 2007

Homem-rato



http://www.one2one-development.com/fitzydaredevils/page.asp?idno=298

Embora seja um texto que de literário tem muito pouco, também nem só de qualidade o ser humano se rodeia, e como nos últimos dias tenho pensado sobre este assunto, aqui deixo um texto que encontrei algures na World Web Wide, adaptado do Português do Brasil para o nosso Português.

O rato, como toda a gente sabe, é um roedor asqueroso. Além de transmitir doenças, ele causa verdadeiro nojo às pessoas.Mas existe outra espécie de rato que pode causar muito mais pânico: o homem-rato. Ele não tem dentões, não é peludo, mas é asqueroso. E o pior: muitas vezes tu não percebes que aquele menino tão bonitinho é na verdade um ratão, uma verdadeira ratazana do esgoto.Para não correres o risco de contrair leptospirose ou ficar com o coração partido por causa de um ratão, vou ajudar-te a identificar a espécie mais comum. O homo sapiens ratus. É por isso um verdadeiro serviço de utilidade pública. Características do homo sapiens ratus:
- Ele tem medo de qualquer tipo de compromisso. Por isso, não liga no dia seguinte, pois acha que isso significaria que vocês são quase namorados.
- Muitas vezes ele omite algumas informações sobre a sua vida. Por exemplo: ele tem namorada ou namorado. Ou acabou de voltar para o/a ex, com quem ele (disse que) tinha terminado na semana passada.- Ele diz que te adora, que és uma pessoa superior. Só que ele não conta que tem mais algumas pessoas superiores na vida dele. Incluindo algumas pessoas que tu conheces e que vivem perto de ti, ou com quem te relacionas muito bem.
- Vocês podem fornicar, mas ele não vai dormir na tua casa. Ele só consegue dormir na toca.
- Ele acha que o seu comportamento canalha é completamente normal. Porque ele é um rato de corpo e alma. Então se tu te sentires triste e afectado/a, ele vai achar que és stressado/a, ou louco/a. Para ele, nada do que fez é errado.
- Depois de algum tempo, vais descobrir que ele sempre foi rato, desde que se entende como gente. E aí vais fazer a seguinte pergunta: como é eu não percebi que ele era um ratão? * Eu já me meti com vários ratões. Agora aprendi como reconhecê-los e comprei várias ratoeiras. Mas nem sempre funciona...

Qualquer semelhança com a vida real é pura coincidência!
Concluo com esta pequena reflexão: infelizmente, cada vez há mais homo sapiens ratus e menos homo sapiens honestus.

sábado, janeiro 20, 2007

Scoop




www.apple.com/trailers/focus_features/scoop/

Mais uma comédia romântica, com mistério e peripécias "Woodyallianas" à mistura, onde o sarcasmo do realizador-actor recai, desta vez, sobre a brittish way of life / being.
Recomenda-se!

sábado, janeiro 13, 2007

Desencontros...


Palavras de amor e paixão,
“Quero-te até ao fim”,
Ditas com precipitação,
Ferem-me a mim.

Que acredito nelas,
E minhas as faço,
Quanto com carícias,
Me davas um abraço.

Me beijavas e apertavas,
Gritando que me amavas,
Sorrindo com olhar brilhante,
Calmo e desconcertante.

Mais desconcertante ainda,
Foste quando de repente,
Veio à berlinda,
A vida de antigamente.

À qual regressaste,
Dizendo que ainda me querias,
Porque achaste,
Que o namoro não é a dias.

O que se passou realmente,
É que na vida que tens,
Tudo é diferente,
Isento de carícias, mas pleno de bens.

De fôlegos financeiros,
De aparente felicidade,
De amarras de estabilidade,
Que atraem interesseiros.

Por isso de vez em quando,
Procuras o carinho, melhor sorte,
No afecto, desejando,
Aquilo a que depressa dás a morte.

Quando depois de saciado,
Até uma próxima conquista,
Vais novamente embargado,
Pela tua vida egoísta.

E eis que destes erros,
São sempre reincidentes,
Quando nos nossos desterros,
Nos encontramos carentes.

E mantendo a crença,
Em que as coisas um dia mudem,
Sentimos nova presença,
De pessoas que nos iludem.

Em sedução de encantos juvenis,
De roço discreto na confusão,
Sobre encostos de perfis,
Um sorriso e apalpão.

Um beijo roubado no rosto,
Com o hálito do mosto,
No embalar da melodia,
Novo encosto que explodia.

Adolescência renascida,
Porém efemeramente,
Numa plácida batida,
Dum ritmo indolente.

No arfar sigiloso,
De beijos escondidos,
Em cubículo duvidoso,
Onde trancados envolvidos,
Nos ríamos como crianças.

Trocando promessas,
De encontro,
Para novas loucuras,
Onde um e outro,
Trocaríamos ternuras.

De beijos, carícias ternas,
Abraços atropelados,
Sorrisos e óculos pendentes,
Em dois rostos afogueados.

Tudo se esvai novamente,
Quando dizes que amas,
Não o que tens pela frente,
Mas aquele que enganas.

É assim que me afundo,
Até a descrença passar,
No meu pequeno mundo,
Para um fôlego tomar.

E de novo em diante seguir,
Sorrindo por ter aquilo,
Que me faz não desistir:
Amor, Saúde, Trabalho,
Família, Amigos!



quarta-feira, dezembro 20, 2006

FESTAS FELIZES!


> ABC, Estrelas de Natal, Acrílico sobre tela, Novembro de 2006
Para todos Festas Felizes e...
... um excelente 2007!
Já agora um pouco de publicidade, aproveitei o ensejo para publicar aqui mais uma das minhas obras-de-arte.
Espero que gostem.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Uma questão de coragem



> tirado da net

É engraçado (não tem graça nenhuma, mas enfim), mas até para se ser feliz é preciso coragem!
O que mais me revolta é a existência de pessoas que não têm coragem para ir ao encontro da felicidade.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Só...



www.pbase.com/terberg/image/53355852

Mais vale só do que mal acompanhado, do que rodeado de pretensos amigos que só o “são” se vivermos de acordo com as suas regras e que nos dizem “se te deres mal não venhas bater-me à porta a chorar”.
Sozinho mas com amigos espalhados pelo país, aos quais aceito sem condições, sem os criticar agora e os bajular depois, sem os reprimir com atitudes de queen of the gang, sem os julgar porque têm filhos para criar e por isso estão mais condicionados, ou porque são de partido político diferente e por isso são imediatamente apelidados de burgueses, incultos ou fascistas, ou porque são despudorados, ou porque são simplesmente o espelho daquilo que já fomos e queremos a todo o custo esquecer, que não toleram diversidade quando passam o tempo a apregoar a tolerância.
Sozinho mas dedicado, de agora em diante, aos que me amam de verdade.
E quem vier, que venha por bem.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Há sempre uma coisa sacrificada para que outra possa existir…



> fusão de http://hometown.aol.com/ e http://www.onecomeats.com/images/steaks.jpg

Aquela manta e aqueles farrapos pendurados num prego fediam a bedum, a leite e a sangue. Estes sapatos de boca aberta., aos pés da cama, acabavam de mexer-se com o bafo de um boi estendido na erva e, no sebo com que o sapateiro os engraxara, grunhia um porco sangrado até à última gota. Por toda a parte havia morte violenta, tal como num matadouro ou num recinto patibular. Um pato degolado grasnava na pena que iria servir para traçar em velhos pergaminhos ideias julgadas dignas de perdurar para sempre.

(Marguerite Yourcenar, A Obra ao Negro, Col. Mil Folhas, Público, 2002, p. 165).

Uma lágrima trocada,
Por não te ter a meu lado,
Uma decisão tomada,
Com o coração embargado.

Por desistir de lutar,
Por ti que escapas,
Por me deixar ir,
Ao encontro de alguém,
Que me queira bem!

sexta-feira, novembro 24, 2006

A prenda que José iria receber...



> imagem adaptada do site www.schleich-s.de

Estes três gatinhos são fotografias daqueles que o Jorge comprou naquela tarde soalheira de Outono, com uma alegria de criança, para dar a José, um apaixonado dos felinos domésticos…

quinta-feira, novembro 23, 2006

Absolument Fabuleux...



www.bacfilms.com/fichedvd.php?id=74

No dia 11 de Novembro, dia de São Martinho, assisti ao filme Absolument Fabuleux, recriação cinematográfica francesa da responsabilidade do realizador Gabriel Aghion, e em que as britânicas Patsy Stone (Joanna Lumley) e Eddy (Jennifer Saunders) surgem como Patsy Laroche (Nathalie Baye) e Eddie (Josiane Balasko). Não se ficam atrás no humor e nas excelentes interpretações, e nas peripécias rocambolescas regadas de muito champagne e cocaína, numa clara decadência urbana de mulheres que pararam nos 70, mas com um enorme glamour e vanguardismo apoiado no excelente guarda-roupa de Jean-Paul Gaultier.
Devo uma excelente noite a uma pessoa muito especial para mim, absolutamente fabulosa, independentemente das imperfeições que a caracterizem e fragilizem.
Absolutamente Fabulosa foi toda essa tarde e toda essa noite, onde o nervosismo foi lentamente abrindo portas ao carinho, à ternura, ao amor.
Saudades, saudades de dias como aqueles, sim, são muitas!

Vontade de ir...


Se pudesse fazia uma mochila com pouca roupa e ía embora, pelo Mundo, sem destino...

segunda-feira, novembro 20, 2006

As palavras são enganadoras...


www.futsal0304.blogger.com.br

As palavras enganadoras proliferam infelizmente, porque cada vez mais são ditas sem sentimento, sem significado coincidente com a acção, ou no intuito de convencer determinado indivíduo pela fraude, a agarrar uma determinada causa.
Mais doloroso é não acreditarem nas nossas palavras quando elas são sentidas, quando reflectem o que realmente sentimos, e preferem cercear-nos, controlar-nos, castrar-nos os sentimentos, em nome de uma calma necessária para que as coisas possam correr bem.
Ainda mais dolorosas e enganadoras são quando nos encantam de forma grandiosa e sublime, encorajando-nos a continuar a acreditar nas boas intenções de alguns seres humanos, nas verdadeiras aspirações de carinho, de amor, de partilha, de actos de lealdade, de sinceridade e de coragem para serem e fazerem outros seres humanos felizes, quando depois nos apercebemos que tudo foi em vão.
Mais dolorosas ainda quando são omitidas, e não nos matam a sede de ouvir algumas delas, pela saudade, pela necessidade de conforto.
O ser humano está cada vez mais de costas voltadas para o seu próximo, cada vez mais se notabiliza pela mediocridade, e isso faz-me carregar um grande e cansado lamento interior.
Por isto tudo, mais uma vez me socorri de uma senhora da literatura mundial que escreveu:

Desde Adão até hoje, poucos bípedes têm havido merecedores do nome de homem.

(Marguerite Yourcenar, A Obra ao Negro, col. Mil Folhas, PUBLICO, 2002, p. 104).

Elas, as palavras, só são enganadoras se forem ditas em consciência plena de que o são. Mesmo que um dia possam ser deitadas por terra, no momento em que são ditas, muitas delas espelham de facto o que se passa no âmago de alguém.
Eu continuo a acreditar nas palavras… de algumas pessoas!

domingo, novembro 19, 2006

Surpresa abortada...



> Praia de Altura, tarde de 19 de Novembro de 2006.

Quando uma pessoa pensa que consegue mudar, tornar-se mais dura de coração e deixar de fazer “loucuras” dedicadas ao amor, eis que percebemos que não vale a pena deixar de o fazer, ainda que essas novas loucuras, revestidas do efeito surpresa, abortem por completo, mais e mais uma vez, e que depois de sentirmos a frustração e de nos olharmos ao espelho e nos chamarmos de “burros”, temos a sensação de que não deixaremos de o fazer, porque não é uma questão de burrice, é uma questão de esperança, de acreditar que vale a pena lutar por aquilo em que acreditamos, de acreditar que existem pessoas capazes de dizer “quero ser feliz, e para ser feliz preciso de fazer alguém feliz”, capazes de dizer “quero partilhar a minha vida com uma pessoa”, capazes de assumir que há pessoas que lhes querem bem e de não as esconderem dos pais ou das mães.
Não é uma questão de burrice, é uma questão de vontade de partilhar, de amar, de corajosamente enfrentar este mundo e o outro para ser feliz, doa a quem doer.

Num dia de Outono soalheiro, um amigo meu chamado Jorge, de 32 anos, levantou-se cheio de energia, com o coração a transbordar de paixão e de amor e pensou:
- Já que não vem ele até mim, porque não fazer-lhe uma surpresa?
Tratava-se de fazer mais de uma centena de quilómetros para visitar José, de 34 anos, independente, e o homem que preenchia o coração de Jorge.
Jorge enfiou-se no seu carro e meteu-se à estrada, com intenção de passar pelo Shopping de Faro para comprar uma lembrança a José, uma pequena lembrança mas que aos olhos de Jorge eram a cara de José.
Chegado junto à casa de José, em Altura, Jorge reparou que José não estava em casa e resolveu fazer uma chamada telefónica a José, avisando-o de que estava à sua porta. Jorge sabia que José devia estar a almoçar em casa da mãe, por isso resolveu, já cheio de fome ir a um snack-bar chamado Bela Praia, comer uma sandes mista e uma Pepsi.
Entretanto, enquanto esperava pelo parco almoço, Jorge insiste em ligar a José para o avisar que estava à sua espera, mas José continuava a não atender.
Foi aí que Jorge começou a pensar.
- Ele não me atende porque está com a mãe. Ele tem medo de falar comigo ao pé da mãe.
Mas continuou a afastar esse temor, por mais algum tempo, e lá comeu a sua sandes mista, bebeu a sua Pepsi e rematou com um café cheio, como sempre costuma beber.
Depois de pagar e de se dirigir para o carro voltou a ligar a José e mais uma vez não obteve resposta. Ainda assim, meteu as chaves na ignição e voltou à casa de José com uma ligeira esperança de encontrar o seu carro já estacionado naquela casa de sonho onde tudo tem um significado especial. Mas o carro de José ainda não estava e mais uma vez o telefone tenta avisar José da surpresa que, caso ele atendesse, passaria só a ser meia-surpresa. Mas urgia avisar José para afastar a possibilidade de o mesmo chegar na companhia da mãe.
É então que Jorge recebe uma mensagem sms de José a dizer: - Eu tou com a minha mãe. Fui buscá-la ao trabalho. Falamos mais tarde, ok?
Nesta situação Jorge sente necessidade de avisar José que estava junto da sua casa e responde-lhe com um sms: - Eu estou à tua porta.
Rapidamente vem a resposta de José, via sms, dizendo: - Mas eu tenho que ir a minha casa com a minha mãe. E agora? Que situação!.
Jorge, já ligeiramente abananado com a surpresa por ter descoberto que o independente José, pelo menos em relação à mãe não tinha independência nenhuma, responde, via sms: “Eu estou na praia, neste momento!”
Já na praia, andando contra o sol, Jorge recebe finalmente uma chamada de José. Este muito aflito e atrapalhado dizia: - mas tu não disseste nada!
Jorge replicou dizendo: - Eu tentei, mas tu nunca atendeste!
José respondeu: “Eu não posso estar contigo, estou com a minha mãe, vou às compras com ela e não a posso deixar sozinha”.
Jorge ainda pediu a José para vir ter com ele só um bocado, para receber a prenda que tinha sido comprada para ele com muito carinho.
José voltou a dizer que não podia, que logo Jorge lha daria noutro dia.
Decididamente, Jorge tem que estar triste, porque nem que fosse por cinco minutos, gostava de ter olhado para a cara de José e de lhe ter dito o quanto gostava dele, o quanto pensava nele e o quanto tinha sido importante para si comprar-lhe aquela lembrança.

terça-feira, novembro 07, 2006

Fase Pictórica...




> ABC, Girassóis, acrílico sobre tela, 5 de Novembro de 2006.

Ando um bocado afoito às escritas, porque tenho andado voltado para a pintura, para os rabiscos caseiros com que vou decorando a minha casa.
Goste-se ou não, são meus, do meu suor, e sempre dão um toque pessoal à minha casa.
Da fase floral, por agora suspensa, eis aqui a minha última obra-prima... lol

quinta-feira, outubro 12, 2006

Beleza, o que é?


> imagem de http://www.stampede-entertainment.com

Era uma vez um humano lindo que vivia sozinho porque não conseguia, de momento, viver com mais ninguém, obrigando-se a aprender a saber estar por sua conta.
Era outro mais lindo ainda que vivia infeliz porque pensava que estava sozinho no mundo, e isto porque ninguém o desafiava, sequer, para tomar uma cerveja no café do bairro.
Outro belíssimo que passava os dias entretido nas suas coisas para esquecer a solidão que lhe rondava o espírito, mas que dificilmente o conseguia abater, porque ele estava já calejado.
Um que tinha tudo, uma carreira brilhante, amigos lindos como ele, francos, leais e ternos, que vivia desesperado porque pensava que o amor verdadeiro não era para ele.
Outro sex-symbol que se anulava todos os dias, mais e mais, porque com tanta carência, servia de objecto sexual e, depois de satisfeito o prazer da carne, mergulhava numa intensa auto-comiseração.
Um ainda, cheio de charme, que por querer ser aceite socialmente resolveu fazer família mergulhando num ciclo vicioso de hipocrisia e sofrimento.
Outro, inteligente, ex-engatatão, que no meio de tanta alegria casou, procriou e se apagou nas malhas do convencional.
Outro mega-resistente que trabalhava, trabalhava, trabalhava, porque via no trabalho a fonte do esquecimento das suas fraquezas.
Um dandy que se pavoneava e humilhava os outros porque não conseguia sequer olhar para si próprio.

Sonhava por fim, um extraterrestre horrendo, com um mundo onde a partilha, o convívio, a brincadeira colectiva, o amor, o respeito, a coragem, a diferença, o equilíbrio e a humildade seriam os valores da Humanidade.

sábado, outubro 07, 2006

Grita Liberdade



> imagem do site http://prisonersoverseas.com/wp-content/SLAVERY.jpg

Há bem pouco tempo senti-me estranhamente livre e agradavelmente diferente de uma série de pessoas, que estimo não porque tenham muito a ver com a minha maneira de ser, mas porque no passado foram importantes para mim, para o meu crescimento, porque contribuiram para fazer de mim aquilo que eu sou e para descobrir que jamais poderia ser como elas eram, quase que humanos clonados que agem e pensam como se lhes tivesse sido inscrito no âmago um guião de comportamentos, e na pele um guarda-roupa uniforme. Mas o melhor de tudo, é que na mesma ocasião, descobri que havia alguns desses meus amigos que pensaram e se sentiram como eu.

Por tudo isto, e por assentar que nem uma luva, mais uma vez encontrei uma frase nas Memórias de Adriano, da Marguerite Yourcenar, que passo a transcrever:

Prefiro ainda a nossa escravidão de facto a esta servidão do espírito ou da imaginação.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Ulisseia, 2005, p. 93).

(Re)nascimento


> Leonardo da Vinci, Study of a Womb, c. 1489, in http://www.visi.com/~reuteler/vinci/womb.jpg

O verdadeiro lugar do nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Ulisseia, 2005, p. 34)
Esta frase suscitou a minha atenção e fez-me esboçar um sorriso, porque posso dizer que (re)nasci, aqui, onde vivo, sozinho. Aqui, onde pela primeira vez aprendi a olhar de frente a mim mesmo, onde sem desviar a atenção de mim próprio, me vou conhecendo, desvendando e amando.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Outro sem inspiração...


Alguns bloguistas amigos que me perdoem, mas não posso deixar de fazer este post um tanto ou quanto plagiado.
Mas o problema é mesmo esse, falta-me também inspiração.
Será algum novo síndroma da inspiração defeituosa adquirida?

terça-feira, agosto 29, 2006

O mérito não é hereditário...


imagem do site www.eca.usp.br/.../njr/voxscientiae/edith31.html

- É verdade que, nas ordenações de Março, pretendeis instalar Nicéforo como bispo de Trevi?
- É.
- O homem é um grego! – Protestou Daniel.
- E isso que interessa?
- Uma posição tão importante tem de ser para um romano.
Joana suspirou. Era verdade que os seus predecessores tinham utilizado o episcopado como instrumento político, distribuindo bispados entre as famílias romanas, como tesouros escolhidos. Joana discordava com esta prática porque tinha resultado numa grande quantidade de episcopi agraphici – bispos iletrados, que tinham espalhado todo o tipo de ignorância e superstições. Afinal, como é que um bispo podia interpretar correctamente a palavra de Deus para o seu rebanho, se nem sequer era capaz de a ler?
- Uma posição tão importante – respondeu ela, calmamente – deve ser para a pessoa mais qualificada. Nicéforo é um homem culto e piedoso, será um óptimo bispo.
- É natural que assim penseis, uma vez que sois estrangeiro.
Daniel utilizou deliberadamente o termo barbarus, e não o termo peregrinus, mais neutro.
Os outros ficaram manifestamente incomodados.
Joana fitou Daniel directamente nos olhos.
- Isto não tem nada que ver com Nicéforo – replicou ela. – Sois guiados por motivos egoístas, Daniel, pois quereis que o vosso próprio filho, Pedro, seja bispo.
- E por que não? – indagou Daniel, num tom defensivo. – Pedro é mais adequado para o lugar em virtude da família e do nascimento.
- Mas não por capacidade – ripostou Joana num tom seco.


Donna Woolfolk Cross, A Papisa Joana, Editorial Presença, Lisboa, 2000, p. 416

Ultimamente tenho conhecido pessoas que vivem agarradas à ilusão de que valem muito por serem de determinada cor política, por conhecerem uma mão cheia de pessoas influentes devido à cor do dinheiro e, alegadamente, à tradição familiar do berço de oiro.
De facto essas pessoas safam-se muito bem, e vivem bem porque conseguem de forma imediata abraçar a materialidade que as estimula para saírem do vazio que encontram em casa, nas suas vidas.
E o mérito senhores, onde fica o mérito? Será que o mérito é das pessoas que por serem filhas de A ou de B, por serem amigas de X ou de Y, conseguiram uma boa posição profissional e reconhecimento em determinada actividade?
Não será o mérito antes o fruto do trabalho, dedicação, esforço por atingirmos, por nós próprios, um lugar ao sol?
O problema é que este mérito não interessa nada, muitas vezes…E o sol continua a brilhar sobretudo para os Pedros e os Danieis a que o excerto da Papisa Joana faz alusão.

domingo, agosto 27, 2006

Felicidades Relativas


> imagem do site http://www.rejesus.co.uk/spirituality/happiness/25smiles.jpg

Será que ele iria ser feliz? Joana esperava que sim. Mas parecia ser um homem fadado para desejar sempre aquilo que não podia ter, para escolher para si próprio o caminho mais pedregoso e mais difícil. Ela iria rezar por ele, assim como por todas as outras almas tristes e atribuladas que tinham de percorrer sozinhas o caminho das suas vidas.

in Donna Woolfolk Cross, A Papisa Joana, Editorial Presença, Lisboa, 2000, p. 217.

Às vezes eu próprio penso que sou propenso a esperar demais da vida. Mas também já vou aprendendo a ser mais conformista.
Às vezes penso que a vida é injusta para mim, mas quando penso que há tanta gente que passa fome no mundo… tanta gente pobre de espírito, tanta gente que tem dinheiro mas que não tem como gastá-lo ou que tem tantos amigos por conveniência, tanta gente casada mas que vive uma mentira… tanta gente infeliz pelas mais variadas coisas… esboço um sorriso de agradecimento.
Penso também que a insatisfação é muitas vezes um processo pelo qual todos passamos, e com o crescimento interior se vai esbatendo ou pelo menos racionalizando.
Algumas vezes a insatisfação é positiva, sobretudo se for sinónimo de ambição, de vontade de ser sempre melhor, de conseguir atingir objectivos que se prendem com a nossa felicidade, sem no entanto esbarrar com a felicidade de terceiros.
A minha felicidade passa por estar bem comigo mesmo, se passa por um dia descobrir uma pessoa que partilhe uma existência comigo, isso já não sei…O que vier virá! E que venha por bem!

domingo, agosto 06, 2006

Vazios necessários...


> Meditation on Emptiness, by Brigid Marlin, Miche Technique, in www.brigidmarlin.com

É "engraçado" como a aparência da plenitude muitas vezes nos encobre a necessidade que temos de sentir na pele a dor, o luto, a solidão, o vazio, a vontade de nos encontrarmos a nós mesmos e, finalmente, a disponibilidade para nos deixarmos sentir verdadeiramente plenos…