
Fica completo o leque dos protagonistas.
Os restantes vilões ou heróis, consoante as sensibilidades, vão aparecendo ao longo das vinhetas.
Meandros de histórias. Minhas, tuas, deles...

Charoleeza Rice é uma vaca dócil e ao mesmo tempo firme e implacável, no que toca ao trabalho e à lidação com as outras “pessoas”. É de uma sinceridade absoluta e ferve em pouca água, mas depois de dizer o que lhe vai passando pela cabeça acalma e fica tudo como se nada se tivesse passado. O grande desgosto de Charoleeza é o nome que tem (vá lá a gente perceber), e que se deve ao facto de ser mestiça, filha de pai Charolês francês com ascendência americana paterna (Rice) e de uma mãe holandesa da região da Frísia, o que está bem patente na cor clara acompanhada de malhas pretas. Por isto tudo, para os amigos é simplesmente Lisa. Quanto à sua especialidade no ramo da investigação policial: profiler com dotes comprovados na área do paranormal. Tem um especial carinho por Kôlmes e quanto ao Kelog, é como se fossem cão e gato.
Kelog Sportif é o pinto do quarteto de detectives. Como frango de aviário que é, é de um cosmopolitismo que chega a raiar o ridículo, pois para ele ovos e leite são originários, não dos galinácios como ele, ou das vacas, mas sim das grandes superfícies comerciais. Quando tem tempo livre pega no seu leitor de mp3 e vai fazer jogging para o parque da cidade, para, como ele diz, "purificar dos efeitos nefastos do monóxido de carbono que lhe corróem as entranhas". É absolutamente hipocôndríaco. No que respeita ao seu papel no contexto da investigação policial, é especialista em irritar a tal ponto os suspeitos, que só para não o ouvirem, confessam os seus crimes.
Porque estas coisas dos blogs dão muito mais pica se houver "feed-back" e interacção, e para recuperar do tempo em que a preguiça me fazia andar numa certa inépcia bloguística, formalizo aqui um desafio, que já tinha sugerido num comentário ao Arion: 5 séries televisivas da minha vida.
Sem desprestígio de outras de que gostei muito, ficam aqui as seguintes, relativas a várias fases da minha existência (iniciada pouco depois do 25 de Abril de 1974; sim, que é sempre bom contextualizar para as pessoas perceberem as nossas escolhas):
- infância: Abelha Maia (o que eu gostava das peripécias da Maia, do Willy - pronunciado Vili, da aranha Tecla, do gafanhoto Filipe; da mestra Cassandra);
- segunda infância: Duarte & Companhia (os tijolos na mala da sogra, LOL);
- Adolescência: Dempsey e Makepeace (policial da BBC);
- Até há 2 anos atrás: Sete Palmos de Terra (a que mais me marcou, pela riqueza de cada personagem);
- Actualmente, depois de um dia de trabalho mais ou menos cansativo: CSI's (com apóstrofo, porque gosto muito dos 3: CSI; CSI New York; CSI Miami).
Os primeiros convidados que, espero, convidem outros tantos:
S.; Ouriço; Arion; Hydra; Bandida; Zéfiro.
Obrigados!



> Carmina Burana - O Fortuna
Foram 60 minutos, exactamente 60 minutos, em que os poros da minha pele se evidenciaram e os pelos se eriçaram. Vibrei com as magníficas prestações do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, da Orquestra Filarmónica Portuguesa e dos Pequenos Cantores de Ossónoba.
Pontos negativos: o atraso, não só da maior parte dos membros da classe política, mas de um autoproclamado jetset que faz gáudio no chegar atrasado, como se isso fosse um apanágio de boa educação e de privilégio de quem detém poder económico e/ou social. Quanto a mim é sinónimo de terceiro-mundismo e de uma grande falta de respeito, pelos artistas e pelos restantes espectadores, pois o barulho que os tacões das sandálias/mules das senhoras e os mocassins dos senhores faziam nos degraus do auditório, distraiu as audiências quando estava já a tocar a segunda música - Fortune plango vulnera.
Quanto aos Carmina Burana:
“Carmina Burana” é uma expressão em latim e significa “Canções de (Benedikt)beuern”. Durante a secularização de 1803, um volume de cerca de 200 poemas e canções medievais foi encontrado na abadia de Benediktbeuern, na Bavária superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em um happening — em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com o Natureza despertando na primavera (“Veris leta facies”), seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
(http://www.nautilus.com.br/~ensjo/cb/)
> Carmina Burana - In Taberna - Estuans Interius
Quanto à Fortuna, ao Destino, medievais, proclamados pelos padrões cristãos católicos do Juízo Final, serve esta cantata para nos esquecermos, momentaneamente, de que a fortuna somos nós que a construímos.
> Carmina Burana - Cour d'amours - Dies, nox et omnia


Acerca do espectáculo de eleição das 7 maravilhas de Portugal (prólogo às Maravilhas do Mundo):
- A Marisa Cruz foi uma tristeza na qualidade de apresentadora. Quando os representantes das maravilhas eleitas pelos portugueses subiram ao palco para receber o galardão, a pergunta da apresentadora “O que tem para nos dizer?” soou-me como a antítese do que se estava a celebrar – maravilhas!
As maravilhas portuguesas também não estiveram mal:
- verdadeiramente bem escolhidas, no meu ponto de vista, foram Alcobaça, Guimarães e Batalha, pela sua carga histórica na afirmação da nacionalidade, no caso das segunda e terceira e pela sobriedade, monumentalidade e equilíbrio no caso da primeira.
Óbidos tem uma Marvão rival não menos encantadora, mas menos dinâmica e mais afastada dos roteiros turísticos.
A Torre de Belém e Jerónimos como representantes do período
O Palácio da Pena, sem dúvida interessante, não tem, todavia, a força dos restantes, e de Português tem talvez só o facto de se localizar na belíssima vila portuguesa de Sintra. Para além disso, faz também parte dos roteiros turísticos mais dinâmicos do país.
Acerca do espectáculo de eleição das 7 novas maravilhas do mundo:
- Foi importante e pode ter sido um importante cartão de visita para o nosso país. As imagens editadas sobre muitas das maravilhas do nosso país mostraram uma mestria no que toca a selecção e acho que foi oportuno mostrarmo-nos ao mundo, na qualidade de anfitriões do espectáculo em que se anunciam as novas maravilhas!
- A presença em palco dos representantes das maravilhas finalistas e a suposta entrega de prémios a todas elas miserável.
- A J Lo é uma cantora péssima, para não falar dos seus dotes como actriz.
- O Cristiano Ronaldo ser elevado ao título de maravilha de Portugal ao lado das sete eleitas é uma ofensa às que o não foram.
- Os compassos de espera foram um desastre.
- As criancinhas que acompanharam a Chaka Khan mais valia terem ficado a festejar o aniversário em casa, com os amiguinhos, pois amadorismos e gracinhas em ocasiões destas não.
- Os gritos “Viva Portugal” no final do espectáculo deram o mote ao provincianismo que ainda domina neste país. Embora anfitriões, o que se festejava no estádio da Luz era o Mundo, não o nosso país.
- O ponto alto da noite foi mesmo o dueto Dulce Pontes e José Carreras. Adorei o registo lírico da Dulce.
Quanto às maravilhas:
- Muralhas da China: aprovadíssima a escolha.
- Petra, idem aspas.
- Taj Mahal, ibidem.
- Machu Pichu, sim senhor.
- Coliseu de Roma, trocava-o pela Acrópole.
- Chichén Itzá, trocava-a pelas pirâmides de Gisé.
- Cristo Redentor: Please! Já agora o Cristo Rei de Almada.
Quanto à iniciativa do Suíço Weber, não esteve mal, e parece que vêm aí as 7 maravilhas da natureza. Como forma de preservar divulgando, pode ser um bom princípio, embora também possa ter o efeito contrário.
Quanto à recriação da ideia de Heródoto, é efectivamente impossível esquecer as maravilhas do mundo antigo, porque se tratava do espírito de uma época em que a Grécia Clássica era a fasquia de avaliação das outras civilizações.
Quanto a mim, toda a opinião suscitada por uma abertura mundial à eleição das maravilhas tem prós, mas também contras, porque muitas das eleições incorrem em bairrismos típicos de quem não vê mais longe ou de quem confunde o espaço em que as mesmas se inserem com elas próprias.
Quando se elege uma maravilha, deve-se ter em conta, não só o aspecto físico, a mestria dos seus projectistas e a sua permanência no tempo, mas também o seu aspecto simbólico.
Se falarmos no simbólico incorre-se no perigo de, elegendo algumas delas, como o Coliseu de Roma, festejarmos a morte de muitos seres vivos.
Acima de tudo há que encarar isto como um jogo, jamais como uma efectiva vinculação da categoria de maravilha a simplesmente 7 monumentos ou conjuntos monumentais.