sexta-feira, agosto 03, 2007
CREPÚSCULO!
Por mais que me tanjas perto
Quando passo triste e errante,
És para mim como um sonho -
Soas-me sempre distante...
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
(Fernando Pessoa, Impressões do Crepúsculo, I, estrofes 3 e 4)
quinta-feira, agosto 02, 2007
Os personagens (4)

Fica completo o leque dos protagonistas.
Os restantes vilões ou heróis, consoante as sensibilidades, vão aparecendo ao longo das vinhetas.
Os personagens (3)
Charoleeza Rice é uma vaca dócil e ao mesmo tempo firme e implacável, no que toca ao trabalho e à lidação com as outras “pessoas”. É de uma sinceridade absoluta e ferve em pouca água, mas depois de dizer o que lhe vai passando pela cabeça acalma e fica tudo como se nada se tivesse passado. O grande desgosto de Charoleeza é o nome que tem (vá lá a gente perceber), e que se deve ao facto de ser mestiça, filha de pai Charolês francês com ascendência americana paterna (Rice) e de uma mãe holandesa da região da Frísia, o que está bem patente na cor clara acompanhada de malhas pretas. Por isto tudo, para os amigos é simplesmente Lisa. Quanto à sua especialidade no ramo da investigação policial: profiler com dotes comprovados na área do paranormal. Tem um especial carinho por Kôlmes e quanto ao Kelog, é como se fossem cão e gato.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Os personagens (2)
Kelog Sportif é o pinto do quarteto de detectives. Como frango de aviário que é, é de um cosmopolitismo que chega a raiar o ridículo, pois para ele ovos e leite são originários, não dos galinácios como ele, ou das vacas, mas sim das grandes superfícies comerciais. Quando tem tempo livre pega no seu leitor de mp3 e vai fazer jogging para o parque da cidade, para, como ele diz, "purificar dos efeitos nefastos do monóxido de carbono que lhe corróem as entranhas". É absolutamente hipocôndríaco. No que respeita ao seu papel no contexto da investigação policial, é especialista em irritar a tal ponto os suspeitos, que só para não o ouvirem, confessam os seus crimes.
Os Personagens (1)
Tal como aconteceu com muitos profissionais, também os meus personagens foram tomando forma, depois de vários desenhos em que as formas infantis deram lugar às definitivas, mais adultas, mais humanizadas e mais apropriadas ao espírito das histórias futuras.
Dos meus quatro futuros heróis, escolhi aleatoriamente o Kôlmes.
Kôlmes é um cão de um humor sarcástico, mas com um coração do tamanho do mundo. Como qualquer cão, não pode sentir os aromas de comida humana e pela-se pelos odores exalados pelos corpos femininos das moçoilas da sua espécie. Profissionalmente é, juntamente com o seu irmão adoptivo – o gato Poirrot, o pinto Kelog Sportif e a vaca Charoliza Rice, um detective sagaz e de uma perspicácia engenhosa.
segunda-feira, julho 30, 2007
domingo, julho 29, 2007
C(hicken) S(ob) I(nvestigação)
sábado, julho 28, 2007
Hoje (h)à noite!
Hoje há noite!
quarta-feira, julho 25, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
5 séries que nos marcaram...
Porque estas coisas dos blogs dão muito mais pica se houver "feed-back" e interacção, e para recuperar do tempo em que a preguiça me fazia andar numa certa inépcia bloguística, formalizo aqui um desafio, que já tinha sugerido num comentário ao Arion: 5 séries televisivas da minha vida.
Sem desprestígio de outras de que gostei muito, ficam aqui as seguintes, relativas a várias fases da minha existência (iniciada pouco depois do 25 de Abril de 1974; sim, que é sempre bom contextualizar para as pessoas perceberem as nossas escolhas):
- infância: Abelha Maia (o que eu gostava das peripécias da Maia, do Willy - pronunciado Vili, da aranha Tecla, do gafanhoto Filipe; da mestra Cassandra);
- segunda infância: Duarte & Companhia (os tijolos na mala da sogra, LOL);
- Adolescência: Dempsey e Makepeace (policial da BBC);
- Até há 2 anos atrás: Sete Palmos de Terra (a que mais me marcou, pela riqueza de cada personagem);
- Actualmente, depois de um dia de trabalho mais ou menos cansativo: CSI's (com apóstrofo, porque gosto muito dos 3: CSI; CSI New York; CSI Miami).
Os primeiros convidados que, espero, convidem outros tantos:
S.; Ouriço; Arion; Hydra; Bandida; Zéfiro.
Obrigados!
domingo, julho 22, 2007
Mais Portalegre...
Portalegre...

> Sé Catedral, Portalegre, foto da minha autoria.
Da minha terra, com algum distanciamento, cada vez mais sou capaz de filtrar os encantos que a enformam, de ter saudades daquilo que vale a pena ter saudades!
Cinco livros da minha vida...

> http://mel-melica.blogspot.com/2007/07/os-livros-mudam-as-pessoas.html
Em resposta ao desafio do meu querido AMIGO Arion, aqui vai uma possível listagem de 5 livros da minha vida. Mais haveria, mas os que passo a indicar marcaram-me muito!
- John Steinbeck: O Inverno do Nosso Descontentamento.
- Jorge Amado: Capitães da Areia.
- José Saramago: Memorial do Convento.
- Marguerite Yourcenar: Memórias de Adriano.
- Luís Sepúlveda: História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar.
quinta-feira, julho 19, 2007
Bom fim-de-semana...

pwp.netcabo.pt/0510598901/
Aí vou eu até à minha terra.
Por isso, bom fim-de-semana a todos!
quarta-feira, julho 18, 2007
Tony Face...
terça-feira, julho 17, 2007
500 anos de arte através do rosto feminino...
Apesar de hiperdivulgado pelo mundo da web, e foi através dele que me chegou às "mãos", resolvi partilhá-lo porque foi um desafio reconhecer algumas das obras e outro maior será saber quais as que não consegui identificar - a maioria.
domingo, julho 15, 2007
CARMINA BURANA - Teatro das Figuras (Faro, 14 de Julho de 2007)
> Carmina Burana - O Fortuna
Foram 60 minutos, exactamente 60 minutos, em que os poros da minha pele se evidenciaram e os pelos se eriçaram. Vibrei com as magníficas prestações do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, da Orquestra Filarmónica Portuguesa e dos Pequenos Cantores de Ossónoba.
Pontos negativos: o atraso, não só da maior parte dos membros da classe política, mas de um autoproclamado jetset que faz gáudio no chegar atrasado, como se isso fosse um apanágio de boa educação e de privilégio de quem detém poder económico e/ou social. Quanto a mim é sinónimo de terceiro-mundismo e de uma grande falta de respeito, pelos artistas e pelos restantes espectadores, pois o barulho que os tacões das sandálias/mules das senhoras e os mocassins dos senhores faziam nos degraus do auditório, distraiu as audiências quando estava já a tocar a segunda música - Fortune plango vulnera.
Quanto aos Carmina Burana:
“Carmina Burana” é uma expressão em latim e significa “Canções de (Benedikt)beuern”. Durante a secularização de 1803, um volume de cerca de 200 poemas e canções medievais foi encontrado na abadia de Benediktbeuern, na Bavária superior. Eram poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, em latim medieval; versos no médio alto alemão vernacular, e vestígios de frâncico. O doutor bavariano em dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e soldados de Munique, cedo ainda deparou-se com esse códex de poesia medieval. Ele arranjou alguns dos poemas em um happening — em “canções seculares (não-religiosas) para solistas e coros, acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.
Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade — o conceito da roda da fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (“O Fortuna, velut luna”) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: O encontro do Homem com a Natureza, particularmente com o Natureza despertando na primavera (“Veris leta facies”), seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (“In taberna”); e seu encontro com o Amor (“Amor volat undique”).
(http://www.nautilus.com.br/~ensjo/cb/)
> Carmina Burana - In Taberna - Estuans Interius
Quanto à Fortuna, ao Destino, medievais, proclamados pelos padrões cristãos católicos do Juízo Final, serve esta cantata para nos esquecermos, momentaneamente, de que a fortuna somos nós que a construímos.
> Carmina Burana - Cour d'amours - Dies, nox et omnia
quinta-feira, julho 12, 2007
Custou mas foi...

Finalmente acabei de ler o livro O Esplendor de Portugal, de António Lobo Antunes. Custou mas foi. Não sei se foi por ter escolhido a hora de deitar para o ler, por estar cansado demais pelo trabalho árduo que tenho tido nos últimos tempos, ou simplesmente porque a saga de escritores a escrever sobre o saudosismo colonialista satura e afirma Portugal como um país com demasiadas saudades do passado e sem qualquer optimismo no futuro, certo é que me custou muito lê-lo. Várias vezes estive para desistir, mas a teimosia venceu, e lá consegui ler as histórias da Isilda, do Carlos, da Clarisse e do Rui, num eterno flashback alternado com o presente, numa busca incessante dos personagens em encontrar-se consigo próprios.
A ironia do Lobo Antunes está presente do princípio ao fim, e quando digo do princípio, digo mesmo do título, porque de esplendor não existe nada nas mágoas, ressentimentos e perdas que o livro ilustra, sentimentos tão próprios de um país dividido entre os que ficaram e os que partiram e regressaram - de África.
(Manuela Duarte Chagas, O Eu ao Espelho do Outro: Portugal Revisitado em O Esplendor de Portugal, http://www.eventos.uevora.pt/comparada/VolumeI/O%20EU%20AO%20ESPELHO%20DO%20OUTRO.pdf)
quarta-feira, julho 11, 2007
Tony Simpson
Na onda dos avatares dos Simpson que o Hydrargirum e o Arion fizeram, eis o meu.
É engraçado, foi o melhor que consegui, mas acho que só uma coisa tem a ver comigo, o nariz.
Se alguém quiser experimentar está à vontade, e em nada fere as minhas susceptibilidades.
domingo, julho 08, 2007

> Já agora este! O Rei em vez do Redentor! Please!
As 7 Maravilhas Nacionais e Mundiais:
Acerca do espectáculo de eleição das 7 maravilhas de Portugal (prólogo às Maravilhas do Mundo):
- A Marisa Cruz foi uma tristeza na qualidade de apresentadora. Quando os representantes das maravilhas eleitas pelos portugueses subiram ao palco para receber o galardão, a pergunta da apresentadora “O que tem para nos dizer?” soou-me como a antítese do que se estava a celebrar – maravilhas!
As maravilhas portuguesas também não estiveram mal:
- verdadeiramente bem escolhidas, no meu ponto de vista, foram Alcobaça, Guimarães e Batalha, pela sua carga histórica na afirmação da nacionalidade, no caso das segunda e terceira e pela sobriedade, monumentalidade e equilíbrio no caso da primeira.
Óbidos tem uma Marvão rival não menos encantadora, mas menos dinâmica e mais afastada dos roteiros turísticos.
A Torre de Belém e Jerónimos como representantes do período
O Palácio da Pena, sem dúvida interessante, não tem, todavia, a força dos restantes, e de Português tem talvez só o facto de se localizar na belíssima vila portuguesa de Sintra. Para além disso, faz também parte dos roteiros turísticos mais dinâmicos do país.
Acerca do espectáculo de eleição das 7 novas maravilhas do mundo:
- Foi importante e pode ter sido um importante cartão de visita para o nosso país. As imagens editadas sobre muitas das maravilhas do nosso país mostraram uma mestria no que toca a selecção e acho que foi oportuno mostrarmo-nos ao mundo, na qualidade de anfitriões do espectáculo em que se anunciam as novas maravilhas!
- A presença em palco dos representantes das maravilhas finalistas e a suposta entrega de prémios a todas elas miserável.
- A J Lo é uma cantora péssima, para não falar dos seus dotes como actriz.
- O Cristiano Ronaldo ser elevado ao título de maravilha de Portugal ao lado das sete eleitas é uma ofensa às que o não foram.
- Os compassos de espera foram um desastre.
- As criancinhas que acompanharam a Chaka Khan mais valia terem ficado a festejar o aniversário em casa, com os amiguinhos, pois amadorismos e gracinhas em ocasiões destas não.
- Os gritos “Viva Portugal” no final do espectáculo deram o mote ao provincianismo que ainda domina neste país. Embora anfitriões, o que se festejava no estádio da Luz era o Mundo, não o nosso país.
- O ponto alto da noite foi mesmo o dueto Dulce Pontes e José Carreras. Adorei o registo lírico da Dulce.
Quanto às maravilhas:
- Muralhas da China: aprovadíssima a escolha.
- Petra, idem aspas.
- Taj Mahal, ibidem.
- Machu Pichu, sim senhor.
- Coliseu de Roma, trocava-o pela Acrópole.
- Chichén Itzá, trocava-a pelas pirâmides de Gisé.
- Cristo Redentor: Please! Já agora o Cristo Rei de Almada.
Quanto à iniciativa do Suíço Weber, não esteve mal, e parece que vêm aí as 7 maravilhas da natureza. Como forma de preservar divulgando, pode ser um bom princípio, embora também possa ter o efeito contrário.
Quanto à recriação da ideia de Heródoto, é efectivamente impossível esquecer as maravilhas do mundo antigo, porque se tratava do espírito de uma época em que a Grécia Clássica era a fasquia de avaliação das outras civilizações.
Quanto a mim, toda a opinião suscitada por uma abertura mundial à eleição das maravilhas tem prós, mas também contras, porque muitas das eleições incorrem em bairrismos típicos de quem não vê mais longe ou de quem confunde o espaço em que as mesmas se inserem com elas próprias.
Quando se elege uma maravilha, deve-se ter em conta, não só o aspecto físico, a mestria dos seus projectistas e a sua permanência no tempo, mas também o seu aspecto simbólico.
Se falarmos no simbólico incorre-se no perigo de, elegendo algumas delas, como o Coliseu de Roma, festejarmos a morte de muitos seres vivos.
Acima de tudo há que encarar isto como um jogo, jamais como uma efectiva vinculação da categoria de maravilha a simplesmente 7 monumentos ou conjuntos monumentais.


