domingo, julho 08, 2007


> Já agora este! O Rei em vez do Redentor! Please!

As 7 Maravilhas Nacionais e Mundiais:

Acerca do espectáculo de eleição das 7 maravilhas de Portugal (prólogo às Maravilhas do Mundo):

- A Marisa Cruz foi uma tristeza na qualidade de apresentadora. Quando os representantes das maravilhas eleitas pelos portugueses subiram ao palco para receber o galardão, a pergunta da apresentadora “O que tem para nos dizer?” soou-me como a antítese do que se estava a celebrar – maravilhas!

As maravilhas portuguesas também não estiveram mal:

- verdadeiramente bem escolhidas, no meu ponto de vista, foram Alcobaça, Guimarães e Batalha, pela sua carga histórica na afirmação da nacionalidade, no caso das segunda e terceira e pela sobriedade, monumentalidade e equilíbrio no caso da primeira.

Óbidos tem uma Marvão rival não menos encantadora, mas menos dinâmica e mais afastada dos roteiros turísticos.

A Torre de Belém e Jerónimos como representantes do período em que Portugal se afirmou como o fundador da aldeia global também foram uma escolha feliz.

O Palácio da Pena, sem dúvida interessante, não tem, todavia, a força dos restantes, e de Português tem talvez só o facto de se localizar na belíssima vila portuguesa de Sintra. Para além disso, faz também parte dos roteiros turísticos mais dinâmicos do país.

Acerca do espectáculo de eleição das 7 novas maravilhas do mundo:

- Foi importante e pode ter sido um importante cartão de visita para o nosso país. As imagens editadas sobre muitas das maravilhas do nosso país mostraram uma mestria no que toca a selecção e acho que foi oportuno mostrarmo-nos ao mundo, na qualidade de anfitriões do espectáculo em que se anunciam as novas maravilhas!

- A presença em palco dos representantes das maravilhas finalistas e a suposta entrega de prémios a todas elas miserável.

- A J Lo é uma cantora péssima, para não falar dos seus dotes como actriz.
- O Cristiano Ronaldo ser elevado ao título de maravilha de Portugal ao lado das sete eleitas é uma ofensa às que o não foram.

- Os compassos de espera foram um desastre.

- As criancinhas que acompanharam a Chaka Khan mais valia terem ficado a festejar o aniversário em casa, com os amiguinhos, pois amadorismos e gracinhas em ocasiões destas não.

- Os gritos “Viva Portugal” no final do espectáculo deram o mote ao provincianismo que ainda domina neste país. Embora anfitriões, o que se festejava no estádio da Luz era o Mundo, não o nosso país.

- O ponto alto da noite foi mesmo o dueto Dulce Pontes e José Carreras. Adorei o registo lírico da Dulce.

Quanto às maravilhas:

- Muralhas da China: aprovadíssima a escolha.

- Petra, idem aspas.

- Taj Mahal, ibidem.

- Machu Pichu, sim senhor.

- Coliseu de Roma, trocava-o pela Acrópole.

- Chichén Itzá, trocava-a pelas pirâmides de Gisé.

- Cristo Redentor: Please! Já agora o Cristo Rei de Almada.

Quanto à iniciativa do Suíço Weber, não esteve mal, e parece que vêm aí as 7 maravilhas da natureza. Como forma de preservar divulgando, pode ser um bom princípio, embora também possa ter o efeito contrário.

Quanto à recriação da ideia de Heródoto, é efectivamente impossível esquecer as maravilhas do mundo antigo, porque se tratava do espírito de uma época em que a Grécia Clássica era a fasquia de avaliação das outras civilizações.

Quanto a mim, toda a opinião suscitada por uma abertura mundial à eleição das maravilhas tem prós, mas também contras, porque muitas das eleições incorrem em bairrismos típicos de quem não vê mais longe ou de quem confunde o espaço em que as mesmas se inserem com elas próprias.

Quando se elege uma maravilha, deve-se ter em conta, não só o aspecto físico, a mestria dos seus projectistas e a sua permanência no tempo, mas também o seu aspecto simbólico.

Se falarmos no simbólico incorre-se no perigo de, elegendo algumas delas, como o Coliseu de Roma, festejarmos a morte de muitos seres vivos.

Acima de tudo há que encarar isto como um jogo, jamais como uma efectiva vinculação da categoria de maravilha a simplesmente 7 monumentos ou conjuntos monumentais.

sábado, junho 30, 2007

Mudam-se os tempos...



> Verka Serduchka - Dancing Lasha Dubai (Eurovision Song Contest 2007 - Ukraine Song)

Não há dúvida! A animação, o humor, a ousadia e os estilos alternativos vieram dar um novo fôlego à Eurovisão. Quem se lembra da Viva la Vida?



> Les fatals picards - L'amour a la française (France Song)

What goes around... comes around



> Justin Timberlake - What goes around

Pois é... acontece!

domingo, junho 24, 2007

Das músicas mais lindas para mim...




M People- Search for the hero

Todos temos que encontrar dentro de nós a força, é nessa força que reside a nossa permanência...

7 SECONDS...


- Youssou N'Dour e Neneh Cherry


Quando não se tem melhor para deixar registado, porque não registar as músicas que nos preenchem?

Adoro o Tom Sawyer...




O sorriso matreiro, as sardas salpicando a fronte afogueada, as gargalhadas que me provoca, o nervoso miudinho que o impede de parar um pouco.
Adoro o Tom Sawyer.

Para um amigo destas lides e de outras...

Tudo o que é bom acaba... e o que é mau também!





> Nelly Furtado: All Good Things, www.youtube.com

A máxima "tudo o que é bom acaba" é, talvez, um dos maiores lugares-comuns.

Melhor será dizer "tudo acaba!"

Melhor ainda é viver tudo com intensidade, nem que seja por um só dia, e aprender, crescer com isso.

domingo, abril 08, 2007

Amar = Fazer alguém feliz



> http://www.fantasticfiction.co.uk/b/marion-zimmer-bradley/catch-trap.htm

Presentemente ando a ler o livro Salto Mortal da escritora norte-americana Marion Zimmer Bradley, no original The Catch Trap.
A história ocorre nos anos 40 do século XX, em plena II Guerra Mundial e relata a história de uma família italo-americana de trapezistas muito fechada nas suas tradições e imbuída do rigor patriarcal das gerações mais antigas. No seio desta família, Matt Santelli (conhecido nos meios do circo por Mario), a estrela da nova geração, vive atormentado entre o rigor moral imposto pela família e pela sociedade do tempo e a força da sua intimidade, que o faz apaixonar pelo seu aprendiz, o promissor Tommy Zane, também ele oriundo dos meios circenses, onde seus pais se destacavam como domadores de felinos, que aliás sempre detestou. Não aos pais, mas aos felinos.
Sendo uma história como tantas outras, e da qual, como de muitas outras, se pode extrair algum pensamento ou ideia que mais toque cada um de nós, ressaltaram as seguintes palavras que contextualizadas dizem respeito a uma conversa entre Matt e Tommy depois do patriarca da família - Papa Tony (Tonio Santelli) - ter morrido, e em que o primeiro conta como o seu avô, Papa Tony, reagiu à sua homossexualidade:
- Eu estava à espera de um sermão sobre o pecado - disse -, quer dizer, eu estava à espera. Ele era sempre tão religioso. Mas ele limitou-se a dizer: «Matty, a forma como um homem vive, isso não interessa. É a forma como trata as outras pessoas que interessa.» E depois, por último, pôs as mãos em cima das minhas e, juro por Deus, Tom, eu comecei a chorar como um bebé, e ele disse-me para eu não chorar, que não interessava o que as pessoas me chamassem enquanto, e foi isso que me fez chorar ainda mais, enquanto as pessoas que eu amasse, fossem elas homens ou mulheres, ficassem melhor por me amarem e não pior.
(BRADLEY, Marion Zimmer, Salto Mortal, DIFEL, p. 477)
Se todos os seres humanos pensassem como o Papa Tony...

quarta-feira, abril 04, 2007

Malmequer não identificado


> Malmequer (foto da minha autoria)
Este malmequer, identificado de uma forma genérica, foi captado em Odeceixe.
Mais um desafio de identificação a um expert em botânica.

A Natureza como ela é



> Malva (foto da minha autoria)

Todos nós "colorimos" a nossa vida por tendências que perduram mais ou menos no tempo. Agora ando voltado para a fotografia e para a botânica espontânea que vai salpicando de cores o meio que nos rodeia ou o que procuramos para fugir à existência rotineira em que todos acabamos por mergulhar.

Esta malva, cuja subespécie não sei identificar, foi apanhada pela minha máquina digital em Vila Nova de Milfontes, e marcou mais um dia de simplicidade em que o mar esteve sempre presente, em comunhão com os cursos de água doce que nele desaguam.

Quanto ao espécime retratado, pode ser que algum expert em botânica visite este post e me esclareça sobre o nome científico e popular do mesmo. Aqui fica o desafio.

quarta-feira, março 21, 2007

Correcção ao lapso da Aula de Botânica 2


Afinal os lupinos não são pouco comuns, o mestre disse que nunca tinha visto tantos juntos. Ainda assim, acho que moro num sítio maravilhoso, com verde natural ainda por perto. Até a especulação imobiliária não acabar com ele.
Também aprendi o que era a Aroeira (Pistacia lentiscus) e foi-me dado a cheirar o que erradamente identifiquei como orégãos, tomilho (Thymus vulgaris).
Da próxima vez que me deparar com uma receita culinária cujo um dos ingredientes seja o tomilho, já sei onde ir «comprar».
Viva a Natureza!

terça-feira, março 20, 2007

Aula de Botânica 2

Também aprendi o nome destes, ou muito similares, os Lupinos (Lupinus arboreus), que são da família do tremoceiro, e que não são muito comuns nesta zona. Por isso apetece‑me concluir que vivo num local que a natureza privilegiou. Sou ou não um aluno atento?

Aprender in situ


www.minerva.uevora.pt/publicar/sbento/flora.htm

Daqui a bocado, quando forem 0h6m, tem início a Primavera.
Esta roselha ou Cistus crispus lembra-me um belo passeio, com direito a ensinamentos de botânica, pelo mato onde todos os dias vou passear com os meus cães. Se o passeio foi óptimo, o mestre foi excelente.

quinta-feira, março 08, 2007

Cantochão



http://barenforum.org/blog/images/Serengeti.Plain.jpg

O último livro que terminei, no dia 6, chama-se Cantochão, é da autoria de Kent Haruf, um escritor norte-americano contemporâneo, do Colorado. No original, Plainsong. A escolha do título deixa entrever a paz, a tranquilidade e a simplicidade tocante que ele transmite, e é de facto com muita calma e simplicidade que nos toca a solidariedade entre um grupo de seres humanos que constituem os personagens centrais deste livro.

Ella: uma mulher deprimida que parte para Denver, deixando para trás o marido e os filhos. (não a considero protagonista, mas merece uma palavra ao contrário dos outros secundários).
Tom Guthrie: o marido abandonado, professor de História numa Secundária, a braços com dois filhos de 10 e 11 anos, com problemas disciplinares com um aluno rebelde e indisciplinado que é acicatado incondicionalmente pelos pais, tão «maus» ou «piores» que ele.
Ike e Bobby: os filhos de 11 e 10 anos de Ella, crescidinhos antes do tempo, trabalham para ajudar o pai ou simplesmente para ocuparem as suas vidas, mas como todos os humanos de 11 e 10 anos manifestam comportamentos de criança, sobretudo na forma como olham curiosamente para as questões da sexualidade.
Victoria Roubideux: a adolescente que engravida e se vê expulsa da casa da mãe, sendo acolhida pelos três personagens seguintes.
Maggie Jones: professora, colega e namorada de Tom, vive com o pai doente de Alzheimer. É a âncora, o conforto para todos estes personagens.
Raymond and Harold: irmãos e idosos agricultores, celibatários, de uma pureza emocionante, vivendo na sua quinta isolada à espera que chegue a sua hora. Ao acolherem Victoria recebem um novo estímulo para viver.
Os outros personagens, independentemente da importância que pudessem ter tido na vida destes aqui listados, retratam com os protagonistas uma sociedade onde a mesquinhez e a falta de respeito contribuem ainda mais para unir os que eventualmente sejam, ainda que só aparentemente, mais vulneráveis.

quarta-feira, março 07, 2007

Pavões ou a Arte de Coçar a Micose?


Despedimentos na Função Pública?
Não discordo em locais em que a moralidade laboral e a imparcialidade das avaliações sejam garantidas.
Não discordo, se não houver tachismos na ocupação de cargos e pavoneamentos inúteis de líderes ou de falsos trabalhadores, que brilham à custa dos outros quando passam o tempo a coçar a micose.

Natividade



> mrsbird.net/Vintage%20Baby%20Clothes.htm

Daqui a uns aninhos já brincas num vestidinho destes.

Por enquanto, tão indefesa e pequenina, sê bem-vinda!

domingo, março 04, 2007

Vermelho Transparente



> Helena Laureano e Luís Esparteiro em http://numb.deslizo.net/arquivos/2006/12/vermelho_transp.html

Tal como tinha "prometido" num post anterior voltei a consumir Teatro na cidade que adoptei para viver. Desta vez, novamente muito bem acompanhado, foi a vez de assistir à peça "Vermelho Transparente", em cena no auditório do Centro Cultural de Lagos, no dia 3 de Março.
A Helena Laureano encantou-me com o desempenho de três personagens que podemos conjugar como a tese, a antítese e a síntese de uma mulher que procura encontrar-se a si mesma, e que ao encontrar-se se resume como uma pessoa que acredita que o amor a poderia ter salvo, mas tarde demais para ela, ou melhor, para eles, porque se ela resolve pôr fim à vida, também o psicanalista desempenhado por Luís Esparteiro se vê confrontado com o facto de nem sempre o profissionalismo ser eficiente para ajudar os seus clientes.
Bela peça para abrir o mês dedicado ao Teatro e à Poesia. E volto a dizer, a companhia era muito boa também. Aliás, uma companhia que festejei no post anterior e que me tem feito sorrir e acreditar no amor, tal como a Teodora da peça que aqui anuncio.
Sobre a peça vasculhei em alguns sites, com o mote de poder divulgar o que de bom se faz por este país. Deixo aqui algumas transcrições sobre o assunto:
Vermelho Transparente “traça o rumo de um ser humano, no caso uma mulher, que começa a equacionar a pequena diferença entre o que pensa e o que faz: neste caso, matar o marido, é uma tentação, uma perspectiva, um projecto? Uma realização? Quando, um dia, do alto dum andaime dum décimo oitavo andar ela sente uma vertigem e vai a apoiar-se no braço do marido e ele descobre que ela o poderá empurrar. Quando, um dia, o psicanalista vai ao seu encontro na esquálida cela de um hospital psiquiátrico, ela irá fazer-lhe as contas à vida. Ao saldo da vida. Àquilo que resta da vida, depois de se ter perdido tudo. Então, o que sobra?”.

Escrita por Jorge Guimarães e encenada por Rui Mendes, esta peça esteve em cena, como estreia, no Teatro Nacional D. Maria II, entre 7 de Novembro e 23 de Dezembro de 2006.
No site do TNDMII encontrei a sinopse institucional, que copio para aqui também:

Rui Mendes encena este “thriller” psicológico que conta com as interpretações de Luís Esparteiro e Helena Laureano.
Mercedes, de 38 anos, procura um psicanalista para lhe falar do sonho recorrente que tem com um vestido vermelho. No sonho, vê o marido, António, fazer amor com a irmã gémea, Dora.
É a primeira de uma série de sessões em que a arquitecta vai revelando, gradualmente, os seus traumas: uma infância atormentada pela indiferença do pai, um juiz pouco dado à fidelidade; uma adolescência afligida pelos ciúmes da irmã (a preferida do progenitor); um casamento perturbado pelo fantasma da traição.
Numa das sessões, Mercedes relata um episódio estranho que acaba de lhe acontecer: numa visita a uma torre em que está a trabalhar, António perde o equilíbrio e julga estar a ser alvo de uma tentativa de assassinato por parte da mulher. O psicanalista tenta escalpelizar o momento, mas Mercedes esquiva-se e acabará por não voltar às sessões de terapia.
Quem vem ao consultório é Dora, a gémea, que anuncia o pior: António morreu em circunstâncias misteriosas. Teria sido obra de Mercedes, sua mulher? Teria sido Dora, sua cunhada e amante?
A verdade, porém, está longe de ser simples e no último acto da peça encontraremos Dora internada num hospital psiquiátrico, acusada de um crime que talvez não tenha cometido...

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

FEVEREIRO... até para o ano!



dnr.state.il.us/publicservices/photos/scenics.htm

Contrariamente a esta foto bonita, mas fria, este Fevereiro fica marcado por um grande conforto da minha alma.

Sim, da alma, porque são os estados de alma que nos fazem bater aceleradamente o coração.

O dia 16 marcou o início de uma fase que, espero, venha a ser renovada e celebrada todos os dias 16, de uma forma especial.

Por isso, Fevereiro, até para o ano, e de preferência, que continues a ser sinónimo de conforto e de felicidade.

Venha o Março Marçagão, traga ele Inverno ou Verão.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

HÁ TANTO TEMPO



do folheto da peça, da DESIGN AO VIVO


Recorda os velhos tempos, mas não vivas em função deles.

Talvez seja esta a mensagem principal da peça Old Times de Harold Pinter, encenada pela OMINED (Oficina Municipal de Iniciação à Expressão Dramática), dirigida por Duval Pestana. Pelo menos foi a frase que o meu intelecto construiu assim que terminou a salva de palmas ao elenco de jovens e bons actores lacobrigenses, dos quais se destacaram, pelas excelentes interpretações, as duas jovens actrizes. Para além disso gostei do encontro de manifestações artísticas, onde a Música, o Cinema e a Fotografia complementaram bem o Teatro propriamente dito.

A história gira em torno de Katie, uma rapariga outrora, uma mulher agora, entalada entre o passado partilhado com uma grande amiga, com a qual tinha uma relação quase, se não mesmo, homossexual, e o presente, partilhado com um marido pelo qual não nutre mais do que uma eventual paixão. Por um lado recorda sorrindo o passado, por outro descobre que nesse passado a sua grande amiga quase lhe roubava a sua identidade, quando esta vem visitá-la a Inglaterra e por outro lado descobre que o seu marido, outrora conhecido da sua amiga, a trata como se ela fosse uma extraterrestre.
Numa confrontação de verdades que só agora vêm ao de cima, Katie opta por se libertar… do passado que já foi e do presente que nunca foi nem deixou de ser (passe a ambiguidade), e resolve ser ela própria.

No Sábado passado fui ao Teatro. Há muito tempo que não ia ao Teatro, o que até parece mal numa pessoa que chegou a fazer parte da mailing list do Grupo de Teatro de Portalegre, pois não havia peça encenada por eles ou Festival Internacional de Teatro daquela cidade onde eu não estivesse batido.

Mas transferido de armas e bagagens para Lagos, é aqui que me compete continuar a ver Teatro, e a fazer parte do grupo dos habitués que consomem o que vem de fora, mas também o que se faz cá dentro, dentro de Lagos, e digo-vos que se vão fazendo coisas de boa qualidade.

Quanto à Ficha Artística e Técnica:
OLD TIMES de Harold Pinter

Texto base: “Há Tanto Tempo” na tradução de Jorge Silva Melo

Encenação: Duval Pestana
Interpretação: Mónica Mayer, Neusa Dias, Henrique Pereira, Joel Correia, Ricardo Vaz Trindade
Composição Musical: Tiago Cutileiro
Solista Convidado: João Pedro Cunha [ao violino, ficou bem no conjunto cenográfico e na ambiência vivida]
Realização Cinematográfica: Micael Espinha
Apoio à Realização: Pedro Noel
Volumetria e Desenho de Luz: Duval Pestana
Figurinos e Adereços: Isa Formosinho
Fotografia: Francisco Castelo
Grafismo: Paula Gonçalves
Direcção de Cena:
Andrea Martins
Iluminação: Carlos Barradinha
Som: Tiago Boto
Coordenação Técnica: Ana Paula Santos
Ateliê de Costura: Maria Cristalina BaptistaApoio Logístico: DASU e DECI (CML)

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Uma questão de atitude...



http://genealogia.netopia.pt/livraria/livro.php?id=518

Parecia viver para esse projecto, omnipresente no seu ânimo, sem o qual a sua vida já não poderia fazer sentido. Cabe falar aqui de um desmedido sentido de grandeza que o caracterizou, e que tanta atracção suscitou e continua a provocar em muitos portugueses: todo o tipo de grande paixão, amor incluído, e mais ainda se é extremo e desmesurado, provoca fascínio e atracção irresistível. Para os grandes seres humanos, nada há de mais desprezível do que o anódino. Preferem a escravidão e dependência que geram os instintos mais primários à miséria de uma conduta insignificante. A própria vida é paixão e exagero, e quando é canalizada por uma ordem repressora e impositiva, ou simplesmente por caminhos apertados, perde força, beleza, e reprime ou destrói grande parte da riqueza que habita em todo o ser humano. Uma ordem estabelecida que seja aniquiladora da pessoa é, ao mesmo tempo, desordem. Por isso, muito provavelmente, D. Sebastião, que se situa fora dos parâmetros do «normal», que possui uma descontrolada e desconcertante alma gigante, continua a ser uma personalidade atraente.

(BAÑOS-GARCÍA, António Villacorta, D. Sebastião Rei de Portugal, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2006, pp. 219-220.)
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Muitos notabilizaram-se pelos feitos cometidos. Muitos outros pelas aspirações que tiveram, pela sua perseverança, ainda que por ela tenham sido conduzidos ao fracasso, mas mesmo assim à imortalidade.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Homem-rato



http://www.one2one-development.com/fitzydaredevils/page.asp?idno=298

Embora seja um texto que de literário tem muito pouco, também nem só de qualidade o ser humano se rodeia, e como nos últimos dias tenho pensado sobre este assunto, aqui deixo um texto que encontrei algures na World Web Wide, adaptado do Português do Brasil para o nosso Português.

O rato, como toda a gente sabe, é um roedor asqueroso. Além de transmitir doenças, ele causa verdadeiro nojo às pessoas.Mas existe outra espécie de rato que pode causar muito mais pânico: o homem-rato. Ele não tem dentões, não é peludo, mas é asqueroso. E o pior: muitas vezes tu não percebes que aquele menino tão bonitinho é na verdade um ratão, uma verdadeira ratazana do esgoto.Para não correres o risco de contrair leptospirose ou ficar com o coração partido por causa de um ratão, vou ajudar-te a identificar a espécie mais comum. O homo sapiens ratus. É por isso um verdadeiro serviço de utilidade pública. Características do homo sapiens ratus:
- Ele tem medo de qualquer tipo de compromisso. Por isso, não liga no dia seguinte, pois acha que isso significaria que vocês são quase namorados.
- Muitas vezes ele omite algumas informações sobre a sua vida. Por exemplo: ele tem namorada ou namorado. Ou acabou de voltar para o/a ex, com quem ele (disse que) tinha terminado na semana passada.- Ele diz que te adora, que és uma pessoa superior. Só que ele não conta que tem mais algumas pessoas superiores na vida dele. Incluindo algumas pessoas que tu conheces e que vivem perto de ti, ou com quem te relacionas muito bem.
- Vocês podem fornicar, mas ele não vai dormir na tua casa. Ele só consegue dormir na toca.
- Ele acha que o seu comportamento canalha é completamente normal. Porque ele é um rato de corpo e alma. Então se tu te sentires triste e afectado/a, ele vai achar que és stressado/a, ou louco/a. Para ele, nada do que fez é errado.
- Depois de algum tempo, vais descobrir que ele sempre foi rato, desde que se entende como gente. E aí vais fazer a seguinte pergunta: como é eu não percebi que ele era um ratão? * Eu já me meti com vários ratões. Agora aprendi como reconhecê-los e comprei várias ratoeiras. Mas nem sempre funciona...

Qualquer semelhança com a vida real é pura coincidência!
Concluo com esta pequena reflexão: infelizmente, cada vez há mais homo sapiens ratus e menos homo sapiens honestus.

sábado, janeiro 20, 2007

Scoop




www.apple.com/trailers/focus_features/scoop/

Mais uma comédia romântica, com mistério e peripécias "Woodyallianas" à mistura, onde o sarcasmo do realizador-actor recai, desta vez, sobre a brittish way of life / being.
Recomenda-se!

sábado, janeiro 13, 2007

Desencontros...


Palavras de amor e paixão,
“Quero-te até ao fim”,
Ditas com precipitação,
Ferem-me a mim.

Que acredito nelas,
E minhas as faço,
Quanto com carícias,
Me davas um abraço.

Me beijavas e apertavas,
Gritando que me amavas,
Sorrindo com olhar brilhante,
Calmo e desconcertante.

Mais desconcertante ainda,
Foste quando de repente,
Veio à berlinda,
A vida de antigamente.

À qual regressaste,
Dizendo que ainda me querias,
Porque achaste,
Que o namoro não é a dias.

O que se passou realmente,
É que na vida que tens,
Tudo é diferente,
Isento de carícias, mas pleno de bens.

De fôlegos financeiros,
De aparente felicidade,
De amarras de estabilidade,
Que atraem interesseiros.

Por isso de vez em quando,
Procuras o carinho, melhor sorte,
No afecto, desejando,
Aquilo a que depressa dás a morte.

Quando depois de saciado,
Até uma próxima conquista,
Vais novamente embargado,
Pela tua vida egoísta.

E eis que destes erros,
São sempre reincidentes,
Quando nos nossos desterros,
Nos encontramos carentes.

E mantendo a crença,
Em que as coisas um dia mudem,
Sentimos nova presença,
De pessoas que nos iludem.

Em sedução de encantos juvenis,
De roço discreto na confusão,
Sobre encostos de perfis,
Um sorriso e apalpão.

Um beijo roubado no rosto,
Com o hálito do mosto,
No embalar da melodia,
Novo encosto que explodia.

Adolescência renascida,
Porém efemeramente,
Numa plácida batida,
Dum ritmo indolente.

No arfar sigiloso,
De beijos escondidos,
Em cubículo duvidoso,
Onde trancados envolvidos,
Nos ríamos como crianças.

Trocando promessas,
De encontro,
Para novas loucuras,
Onde um e outro,
Trocaríamos ternuras.

De beijos, carícias ternas,
Abraços atropelados,
Sorrisos e óculos pendentes,
Em dois rostos afogueados.

Tudo se esvai novamente,
Quando dizes que amas,
Não o que tens pela frente,
Mas aquele que enganas.

É assim que me afundo,
Até a descrença passar,
No meu pequeno mundo,
Para um fôlego tomar.

E de novo em diante seguir,
Sorrindo por ter aquilo,
Que me faz não desistir:
Amor, Saúde, Trabalho,
Família, Amigos!



quarta-feira, dezembro 20, 2006

FESTAS FELIZES!


> ABC, Estrelas de Natal, Acrílico sobre tela, Novembro de 2006
Para todos Festas Felizes e...
... um excelente 2007!
Já agora um pouco de publicidade, aproveitei o ensejo para publicar aqui mais uma das minhas obras-de-arte.
Espero que gostem.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Uma questão de coragem



> tirado da net

É engraçado (não tem graça nenhuma, mas enfim), mas até para se ser feliz é preciso coragem!
O que mais me revolta é a existência de pessoas que não têm coragem para ir ao encontro da felicidade.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Só...



www.pbase.com/terberg/image/53355852

Mais vale só do que mal acompanhado, do que rodeado de pretensos amigos que só o “são” se vivermos de acordo com as suas regras e que nos dizem “se te deres mal não venhas bater-me à porta a chorar”.
Sozinho mas com amigos espalhados pelo país, aos quais aceito sem condições, sem os criticar agora e os bajular depois, sem os reprimir com atitudes de queen of the gang, sem os julgar porque têm filhos para criar e por isso estão mais condicionados, ou porque são de partido político diferente e por isso são imediatamente apelidados de burgueses, incultos ou fascistas, ou porque são despudorados, ou porque são simplesmente o espelho daquilo que já fomos e queremos a todo o custo esquecer, que não toleram diversidade quando passam o tempo a apregoar a tolerância.
Sozinho mas dedicado, de agora em diante, aos que me amam de verdade.
E quem vier, que venha por bem.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Há sempre uma coisa sacrificada para que outra possa existir…



> fusão de http://hometown.aol.com/ e http://www.onecomeats.com/images/steaks.jpg

Aquela manta e aqueles farrapos pendurados num prego fediam a bedum, a leite e a sangue. Estes sapatos de boca aberta., aos pés da cama, acabavam de mexer-se com o bafo de um boi estendido na erva e, no sebo com que o sapateiro os engraxara, grunhia um porco sangrado até à última gota. Por toda a parte havia morte violenta, tal como num matadouro ou num recinto patibular. Um pato degolado grasnava na pena que iria servir para traçar em velhos pergaminhos ideias julgadas dignas de perdurar para sempre.

(Marguerite Yourcenar, A Obra ao Negro, Col. Mil Folhas, Público, 2002, p. 165).

Uma lágrima trocada,
Por não te ter a meu lado,
Uma decisão tomada,
Com o coração embargado.

Por desistir de lutar,
Por ti que escapas,
Por me deixar ir,
Ao encontro de alguém,
Que me queira bem!

sexta-feira, novembro 24, 2006

A prenda que José iria receber...



> imagem adaptada do site www.schleich-s.de

Estes três gatinhos são fotografias daqueles que o Jorge comprou naquela tarde soalheira de Outono, com uma alegria de criança, para dar a José, um apaixonado dos felinos domésticos…

quinta-feira, novembro 23, 2006

Absolument Fabuleux...



www.bacfilms.com/fichedvd.php?id=74

No dia 11 de Novembro, dia de São Martinho, assisti ao filme Absolument Fabuleux, recriação cinematográfica francesa da responsabilidade do realizador Gabriel Aghion, e em que as britânicas Patsy Stone (Joanna Lumley) e Eddy (Jennifer Saunders) surgem como Patsy Laroche (Nathalie Baye) e Eddie (Josiane Balasko). Não se ficam atrás no humor e nas excelentes interpretações, e nas peripécias rocambolescas regadas de muito champagne e cocaína, numa clara decadência urbana de mulheres que pararam nos 70, mas com um enorme glamour e vanguardismo apoiado no excelente guarda-roupa de Jean-Paul Gaultier.
Devo uma excelente noite a uma pessoa muito especial para mim, absolutamente fabulosa, independentemente das imperfeições que a caracterizem e fragilizem.
Absolutamente Fabulosa foi toda essa tarde e toda essa noite, onde o nervosismo foi lentamente abrindo portas ao carinho, à ternura, ao amor.
Saudades, saudades de dias como aqueles, sim, são muitas!

Vontade de ir...


Se pudesse fazia uma mochila com pouca roupa e ía embora, pelo Mundo, sem destino...

segunda-feira, novembro 20, 2006

As palavras são enganadoras...


www.futsal0304.blogger.com.br

As palavras enganadoras proliferam infelizmente, porque cada vez mais são ditas sem sentimento, sem significado coincidente com a acção, ou no intuito de convencer determinado indivíduo pela fraude, a agarrar uma determinada causa.
Mais doloroso é não acreditarem nas nossas palavras quando elas são sentidas, quando reflectem o que realmente sentimos, e preferem cercear-nos, controlar-nos, castrar-nos os sentimentos, em nome de uma calma necessária para que as coisas possam correr bem.
Ainda mais dolorosas e enganadoras são quando nos encantam de forma grandiosa e sublime, encorajando-nos a continuar a acreditar nas boas intenções de alguns seres humanos, nas verdadeiras aspirações de carinho, de amor, de partilha, de actos de lealdade, de sinceridade e de coragem para serem e fazerem outros seres humanos felizes, quando depois nos apercebemos que tudo foi em vão.
Mais dolorosas ainda quando são omitidas, e não nos matam a sede de ouvir algumas delas, pela saudade, pela necessidade de conforto.
O ser humano está cada vez mais de costas voltadas para o seu próximo, cada vez mais se notabiliza pela mediocridade, e isso faz-me carregar um grande e cansado lamento interior.
Por isto tudo, mais uma vez me socorri de uma senhora da literatura mundial que escreveu:

Desde Adão até hoje, poucos bípedes têm havido merecedores do nome de homem.

(Marguerite Yourcenar, A Obra ao Negro, col. Mil Folhas, PUBLICO, 2002, p. 104).

Elas, as palavras, só são enganadoras se forem ditas em consciência plena de que o são. Mesmo que um dia possam ser deitadas por terra, no momento em que são ditas, muitas delas espelham de facto o que se passa no âmago de alguém.
Eu continuo a acreditar nas palavras… de algumas pessoas!

domingo, novembro 19, 2006

Surpresa abortada...



> Praia de Altura, tarde de 19 de Novembro de 2006.

Quando uma pessoa pensa que consegue mudar, tornar-se mais dura de coração e deixar de fazer “loucuras” dedicadas ao amor, eis que percebemos que não vale a pena deixar de o fazer, ainda que essas novas loucuras, revestidas do efeito surpresa, abortem por completo, mais e mais uma vez, e que depois de sentirmos a frustração e de nos olharmos ao espelho e nos chamarmos de “burros”, temos a sensação de que não deixaremos de o fazer, porque não é uma questão de burrice, é uma questão de esperança, de acreditar que vale a pena lutar por aquilo em que acreditamos, de acreditar que existem pessoas capazes de dizer “quero ser feliz, e para ser feliz preciso de fazer alguém feliz”, capazes de dizer “quero partilhar a minha vida com uma pessoa”, capazes de assumir que há pessoas que lhes querem bem e de não as esconderem dos pais ou das mães.
Não é uma questão de burrice, é uma questão de vontade de partilhar, de amar, de corajosamente enfrentar este mundo e o outro para ser feliz, doa a quem doer.

Num dia de Outono soalheiro, um amigo meu chamado Jorge, de 32 anos, levantou-se cheio de energia, com o coração a transbordar de paixão e de amor e pensou:
- Já que não vem ele até mim, porque não fazer-lhe uma surpresa?
Tratava-se de fazer mais de uma centena de quilómetros para visitar José, de 34 anos, independente, e o homem que preenchia o coração de Jorge.
Jorge enfiou-se no seu carro e meteu-se à estrada, com intenção de passar pelo Shopping de Faro para comprar uma lembrança a José, uma pequena lembrança mas que aos olhos de Jorge eram a cara de José.
Chegado junto à casa de José, em Altura, Jorge reparou que José não estava em casa e resolveu fazer uma chamada telefónica a José, avisando-o de que estava à sua porta. Jorge sabia que José devia estar a almoçar em casa da mãe, por isso resolveu, já cheio de fome ir a um snack-bar chamado Bela Praia, comer uma sandes mista e uma Pepsi.
Entretanto, enquanto esperava pelo parco almoço, Jorge insiste em ligar a José para o avisar que estava à sua espera, mas José continuava a não atender.
Foi aí que Jorge começou a pensar.
- Ele não me atende porque está com a mãe. Ele tem medo de falar comigo ao pé da mãe.
Mas continuou a afastar esse temor, por mais algum tempo, e lá comeu a sua sandes mista, bebeu a sua Pepsi e rematou com um café cheio, como sempre costuma beber.
Depois de pagar e de se dirigir para o carro voltou a ligar a José e mais uma vez não obteve resposta. Ainda assim, meteu as chaves na ignição e voltou à casa de José com uma ligeira esperança de encontrar o seu carro já estacionado naquela casa de sonho onde tudo tem um significado especial. Mas o carro de José ainda não estava e mais uma vez o telefone tenta avisar José da surpresa que, caso ele atendesse, passaria só a ser meia-surpresa. Mas urgia avisar José para afastar a possibilidade de o mesmo chegar na companhia da mãe.
É então que Jorge recebe uma mensagem sms de José a dizer: - Eu tou com a minha mãe. Fui buscá-la ao trabalho. Falamos mais tarde, ok?
Nesta situação Jorge sente necessidade de avisar José que estava junto da sua casa e responde-lhe com um sms: - Eu estou à tua porta.
Rapidamente vem a resposta de José, via sms, dizendo: - Mas eu tenho que ir a minha casa com a minha mãe. E agora? Que situação!.
Jorge, já ligeiramente abananado com a surpresa por ter descoberto que o independente José, pelo menos em relação à mãe não tinha independência nenhuma, responde, via sms: “Eu estou na praia, neste momento!”
Já na praia, andando contra o sol, Jorge recebe finalmente uma chamada de José. Este muito aflito e atrapalhado dizia: - mas tu não disseste nada!
Jorge replicou dizendo: - Eu tentei, mas tu nunca atendeste!
José respondeu: “Eu não posso estar contigo, estou com a minha mãe, vou às compras com ela e não a posso deixar sozinha”.
Jorge ainda pediu a José para vir ter com ele só um bocado, para receber a prenda que tinha sido comprada para ele com muito carinho.
José voltou a dizer que não podia, que logo Jorge lha daria noutro dia.
Decididamente, Jorge tem que estar triste, porque nem que fosse por cinco minutos, gostava de ter olhado para a cara de José e de lhe ter dito o quanto gostava dele, o quanto pensava nele e o quanto tinha sido importante para si comprar-lhe aquela lembrança.

terça-feira, novembro 07, 2006

Fase Pictórica...




> ABC, Girassóis, acrílico sobre tela, 5 de Novembro de 2006.

Ando um bocado afoito às escritas, porque tenho andado voltado para a pintura, para os rabiscos caseiros com que vou decorando a minha casa.
Goste-se ou não, são meus, do meu suor, e sempre dão um toque pessoal à minha casa.
Da fase floral, por agora suspensa, eis aqui a minha última obra-prima... lol

quinta-feira, outubro 12, 2006

Beleza, o que é?


> imagem de http://www.stampede-entertainment.com

Era uma vez um humano lindo que vivia sozinho porque não conseguia, de momento, viver com mais ninguém, obrigando-se a aprender a saber estar por sua conta.
Era outro mais lindo ainda que vivia infeliz porque pensava que estava sozinho no mundo, e isto porque ninguém o desafiava, sequer, para tomar uma cerveja no café do bairro.
Outro belíssimo que passava os dias entretido nas suas coisas para esquecer a solidão que lhe rondava o espírito, mas que dificilmente o conseguia abater, porque ele estava já calejado.
Um que tinha tudo, uma carreira brilhante, amigos lindos como ele, francos, leais e ternos, que vivia desesperado porque pensava que o amor verdadeiro não era para ele.
Outro sex-symbol que se anulava todos os dias, mais e mais, porque com tanta carência, servia de objecto sexual e, depois de satisfeito o prazer da carne, mergulhava numa intensa auto-comiseração.
Um ainda, cheio de charme, que por querer ser aceite socialmente resolveu fazer família mergulhando num ciclo vicioso de hipocrisia e sofrimento.
Outro, inteligente, ex-engatatão, que no meio de tanta alegria casou, procriou e se apagou nas malhas do convencional.
Outro mega-resistente que trabalhava, trabalhava, trabalhava, porque via no trabalho a fonte do esquecimento das suas fraquezas.
Um dandy que se pavoneava e humilhava os outros porque não conseguia sequer olhar para si próprio.

Sonhava por fim, um extraterrestre horrendo, com um mundo onde a partilha, o convívio, a brincadeira colectiva, o amor, o respeito, a coragem, a diferença, o equilíbrio e a humildade seriam os valores da Humanidade.

sábado, outubro 07, 2006

Grita Liberdade



> imagem do site http://prisonersoverseas.com/wp-content/SLAVERY.jpg

Há bem pouco tempo senti-me estranhamente livre e agradavelmente diferente de uma série de pessoas, que estimo não porque tenham muito a ver com a minha maneira de ser, mas porque no passado foram importantes para mim, para o meu crescimento, porque contribuiram para fazer de mim aquilo que eu sou e para descobrir que jamais poderia ser como elas eram, quase que humanos clonados que agem e pensam como se lhes tivesse sido inscrito no âmago um guião de comportamentos, e na pele um guarda-roupa uniforme. Mas o melhor de tudo, é que na mesma ocasião, descobri que havia alguns desses meus amigos que pensaram e se sentiram como eu.

Por tudo isto, e por assentar que nem uma luva, mais uma vez encontrei uma frase nas Memórias de Adriano, da Marguerite Yourcenar, que passo a transcrever:

Prefiro ainda a nossa escravidão de facto a esta servidão do espírito ou da imaginação.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Ulisseia, 2005, p. 93).

(Re)nascimento


> Leonardo da Vinci, Study of a Womb, c. 1489, in http://www.visi.com/~reuteler/vinci/womb.jpg

O verdadeiro lugar do nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo.
(Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano, Ulisseia, 2005, p. 34)
Esta frase suscitou a minha atenção e fez-me esboçar um sorriso, porque posso dizer que (re)nasci, aqui, onde vivo, sozinho. Aqui, onde pela primeira vez aprendi a olhar de frente a mim mesmo, onde sem desviar a atenção de mim próprio, me vou conhecendo, desvendando e amando.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Outro sem inspiração...


Alguns bloguistas amigos que me perdoem, mas não posso deixar de fazer este post um tanto ou quanto plagiado.
Mas o problema é mesmo esse, falta-me também inspiração.
Será algum novo síndroma da inspiração defeituosa adquirida?

terça-feira, agosto 29, 2006

O mérito não é hereditário...


imagem do site www.eca.usp.br/.../njr/voxscientiae/edith31.html

- É verdade que, nas ordenações de Março, pretendeis instalar Nicéforo como bispo de Trevi?
- É.
- O homem é um grego! – Protestou Daniel.
- E isso que interessa?
- Uma posição tão importante tem de ser para um romano.
Joana suspirou. Era verdade que os seus predecessores tinham utilizado o episcopado como instrumento político, distribuindo bispados entre as famílias romanas, como tesouros escolhidos. Joana discordava com esta prática porque tinha resultado numa grande quantidade de episcopi agraphici – bispos iletrados, que tinham espalhado todo o tipo de ignorância e superstições. Afinal, como é que um bispo podia interpretar correctamente a palavra de Deus para o seu rebanho, se nem sequer era capaz de a ler?
- Uma posição tão importante – respondeu ela, calmamente – deve ser para a pessoa mais qualificada. Nicéforo é um homem culto e piedoso, será um óptimo bispo.
- É natural que assim penseis, uma vez que sois estrangeiro.
Daniel utilizou deliberadamente o termo barbarus, e não o termo peregrinus, mais neutro.
Os outros ficaram manifestamente incomodados.
Joana fitou Daniel directamente nos olhos.
- Isto não tem nada que ver com Nicéforo – replicou ela. – Sois guiados por motivos egoístas, Daniel, pois quereis que o vosso próprio filho, Pedro, seja bispo.
- E por que não? – indagou Daniel, num tom defensivo. – Pedro é mais adequado para o lugar em virtude da família e do nascimento.
- Mas não por capacidade – ripostou Joana num tom seco.


Donna Woolfolk Cross, A Papisa Joana, Editorial Presença, Lisboa, 2000, p. 416

Ultimamente tenho conhecido pessoas que vivem agarradas à ilusão de que valem muito por serem de determinada cor política, por conhecerem uma mão cheia de pessoas influentes devido à cor do dinheiro e, alegadamente, à tradição familiar do berço de oiro.
De facto essas pessoas safam-se muito bem, e vivem bem porque conseguem de forma imediata abraçar a materialidade que as estimula para saírem do vazio que encontram em casa, nas suas vidas.
E o mérito senhores, onde fica o mérito? Será que o mérito é das pessoas que por serem filhas de A ou de B, por serem amigas de X ou de Y, conseguiram uma boa posição profissional e reconhecimento em determinada actividade?
Não será o mérito antes o fruto do trabalho, dedicação, esforço por atingirmos, por nós próprios, um lugar ao sol?
O problema é que este mérito não interessa nada, muitas vezes…E o sol continua a brilhar sobretudo para os Pedros e os Danieis a que o excerto da Papisa Joana faz alusão.

domingo, agosto 27, 2006

Felicidades Relativas


> imagem do site http://www.rejesus.co.uk/spirituality/happiness/25smiles.jpg

Será que ele iria ser feliz? Joana esperava que sim. Mas parecia ser um homem fadado para desejar sempre aquilo que não podia ter, para escolher para si próprio o caminho mais pedregoso e mais difícil. Ela iria rezar por ele, assim como por todas as outras almas tristes e atribuladas que tinham de percorrer sozinhas o caminho das suas vidas.

in Donna Woolfolk Cross, A Papisa Joana, Editorial Presença, Lisboa, 2000, p. 217.

Às vezes eu próprio penso que sou propenso a esperar demais da vida. Mas também já vou aprendendo a ser mais conformista.
Às vezes penso que a vida é injusta para mim, mas quando penso que há tanta gente que passa fome no mundo… tanta gente pobre de espírito, tanta gente que tem dinheiro mas que não tem como gastá-lo ou que tem tantos amigos por conveniência, tanta gente casada mas que vive uma mentira… tanta gente infeliz pelas mais variadas coisas… esboço um sorriso de agradecimento.
Penso também que a insatisfação é muitas vezes um processo pelo qual todos passamos, e com o crescimento interior se vai esbatendo ou pelo menos racionalizando.
Algumas vezes a insatisfação é positiva, sobretudo se for sinónimo de ambição, de vontade de ser sempre melhor, de conseguir atingir objectivos que se prendem com a nossa felicidade, sem no entanto esbarrar com a felicidade de terceiros.
A minha felicidade passa por estar bem comigo mesmo, se passa por um dia descobrir uma pessoa que partilhe uma existência comigo, isso já não sei…O que vier virá! E que venha por bem!

domingo, agosto 06, 2006

Vazios necessários...


> Meditation on Emptiness, by Brigid Marlin, Miche Technique, in www.brigidmarlin.com

É "engraçado" como a aparência da plenitude muitas vezes nos encobre a necessidade que temos de sentir na pele a dor, o luto, a solidão, o vazio, a vontade de nos encontrarmos a nós mesmos e, finalmente, a disponibilidade para nos deixarmos sentir verdadeiramente plenos…

terça-feira, agosto 01, 2006

Onde é que pára a Polícia?



> imagem do site http://www.gms.lu/~riesm/portug2.jpg, adaptada por mim

Onde é que pára a Polícia?

Ainda agora começou Agosto e, depois de sair do meu trabalho, de me enfiar no carro para regressar a casa e atravessar a “semaforizada” Avenida dos Descobrimentos, já assisti a tanta contra-ordenação no tráfego que perguntei, deveras irritado, “ONDE É QUE PÁRA A POLÍCIA?”.

Onde, podem dizer-me onde?

quarta-feira, julho 26, 2006

Futuro do Amor


> Bonneville Savoy, de William Turner, retirado do site www.geocities.com/uttamkumar44/turner.html

Um beijo roubado,
Um olhar sorridente,
Um abraço apertado,
Uma mão assente,
Em tuas pernas,
Morenas, escuras,
Trementes,
Maduras.

Enlaço tuas mãos,
Contigo em meus braços,
Adivinho teus traços,
De anos passados,
Apáticos, cinzentos,
De vida adiada,
Alugada,
Em espaventos.

Roubei-te sorrisos,
Olhares de atenção,
Perdi-me em juízos,
Com frustração,
Julguei-te perdido,
Nas malhas do mundo,
Do mundo fecundo,
Em interesse crescido.

Com força lutei,
Estóico aguentei,
Com ciúmes alimentados,
Me enchi de cuidados,
Reagi com pecados,
Sonhados, vividos,
Empedernidos,
De mágoa contida,
Por vezes sonora,
De ave canora.

Aflita de dor,
Minh’alma voou,
Em ti pousou,
Para viver,
De novo aprender,
A amar,
Cultivando devagar,
O que não consegui,
Anteriormente,
Alcançar.

Começar de novo,
Com calma, sereno,
Sem doce veneno,
Namorando,
Saboreando momentos,
Únicos, sem tormentos,
Sem pressas,
Sem cobranças minhas,
Tuas e deles.

Sobretudo deles,
Que não deixavam,
Apartar-nos para sentir,
Para repartir momentos,
De dois,
Não de três,
Ou quatro,
De uma vez.

Viver para mim,
Preciso viver para mim,
Saber chorar sozinho,
Rir e resmungar,
Sem audiências,
Falhar sem condolências,
Para me encontrar,
Para te encontrar,
E saber desejar.

Amar cada bocado,
Que esteja a teu lado,
Sem me massacrar,
Por ter terminado,
Sem sofrer antes,
Do momento em que partes.
Sem ansiar dolorosamente,
O teu regresso,
É isto que peço.

quinta-feira, julho 20, 2006

THE END...


> Road to nowhere, foto de Willie Holdman, tirada do site www.willieholdman.com

Há dias em que temos muita necessidade de soltar cá para fora alguns sentimentos e escrevê-los no papel, mas normalmente esses dias, não aqueles em que escrevemos porque queremos, mas sim em que escrevemos porque precisamos, são também aqueles em que por muitas e variadas razões nos socorremos das coisas mais banais porque não temos muita energia intelectual para escrever o que é da nossa própria pena.

Eu socorri-me de versos da canção da cantora branca com voz de preta (sem qualquer sentido pejorativo, porque a adoro e porque os pretos são excelentes como os brancos e péssimos como eles) que anda nas bocas do mundo e nos entra, em qualquer parte, pela vida adentro. Falo da Anastacia e da primeira música que a lançou para a ribalta. O refrão é da música I’m Outta Love, e diz isto:

I’m outta love set me free
And let me out this misery
Show me the way
To get my life again
Cuz you can’t handle me
Said I’m outta love can’t you see
Baby that you gotta set me free
I’m outta love


Nem sei ao certo se é o refrão adequado relativamente ao que estou a sentir neste momento, mas pelo menos é alguma coisa parecida, mais não seja pelo facto de ter tomado uma posição corajosa, independentemente de ter ou não sido fácil de tomar ou a certa. Mas acho que sim.
Nem sei ao certo o que estou a sentir. Talvez alívio, talvez medo, ao certo eu sei que estou em paz, com a consciência tranquila porque ninguém foi enganado, porque ninguém fez mais, simplesmente porque não podia, simplesmente porque não mandamos nos nossos sentimentos, nas nossas emoções…

terça-feira, julho 18, 2006

NO HORIZONTE...


> Diáfano Horizonte, foto de Cristina Corradini, in www.chaco.gov.ar/cultura/medios

No horizonte vislumbro desejos,
De um porvir melodioso,
Em que te cubro de beijos,
Num abraço caloroso.

De ternura se enche,
A esperança de escaparmos,
Preenchida,
Na lembrança de ficarmos,
Lado a lado,
Num conforto almejado,
Em que tu aninhas,
Teu rosto em meu peito,
Naquele jeito,
Que adivinhas.

Por estares a mim ligado,
De um modo superior,
A dormir e acordado,
No recanto do fulgor,
Do risco que se abate,
No pecado infantil,
No eterno debate,
De traição varonil.

Ao norte meu olhar,
Se eleva para Ti,
Meu ser a acalentar,
Esse corpo etéreo,
Que por si,
Quebra mistério,
Que por mim,
É beijado,
Que por mim,
Em pecado,
É amado,
Olhado.
Apalpado.
Enlaçado.

Dos regulares amantes,
Não sei que será,
Se de um beijo antes,
Não passará,
Um beijo imaterial,
Feito por intenções,
Ou se de um amor carnal,
Lavrado em acções.
O que vier virá,
Nos meandros do futuro,
Que palavras não há,
Para dizer que te juro,
Estar sempre aqui,
Ou ir para longe.

Não interessa o que vem,
Ou se te aproxima,
Viver cada dia,
Na doce chacina,
De palavras amáveis,
Com que me cobres,
Me descobres,
É meu lema,
Este tema,
De amor.

quinta-feira, julho 13, 2006

Marégrafos


> Foto de Pedro Calheiros, retirada do site www.trekearth.com

Águas revoltas,
Marégrafos atentos,
Niveladas, envoltas,
Em tantos tormentos,
Subindo, descendo,
Pela terra que gravita,
Ao sol e à lua,
Meu ser que medita,
Minha pele nua.

Roçando n’areia,
Vendo silhuetas,
Corpos de sereia,
São estatuetas.
Cheias de ilusão,
Perdidas em buscas,
E em tentação,
Que tu me ofuscas.

Sorriso gentil,
Palavras meigas,
Calor febril,
Enchendo taleigas,
De suor ácido,
Tesão pueril,
Num corpo já flácido,
Já não juvenil.

Dos jovens amantes,
Que mergulham,
Corpos flutuantes,
Se atulham,
De beijos molhados,
Em risos rasgados,
De fortes abraços,
Que borbulham.

Águas oscilantes,
Que marégrafos medem,
Agora como antes,
Em que amores sucedem.
E vós oceanos,
Em brumas envoltos,
Lavam desenganos,
E castigos soltos.

quarta-feira, julho 12, 2006

Liberta... de ti!


> Foto retirada do site www.beachchamber.com

Liberta de ti se afasta,
Minh’alma que voa mais longe,
Nas asas de desejo de um monge,
Como se fora casta.

Não estou aqui, já,
Fui para parte incerta,
Alma aberta,
Contra medos que vá,

Buscar um rosto,
Uma pele, um abraço,
O calor noutro regaço,
Um aroma de mosto.

De vinho que te bebo,
Meu belo e jovem efebo,
Que roubaste minh’alma,
Com muita, muita calma.

Ao outro que a tinha,
Não serei bom,
Tão pouco será minha,
A ira da voz, naquele tom.

Alto, frustrado, desgostoso,
Cheio de raiva, rancoroso,
Que grita de forma louca,
“Desdita não tenho pouca”.

Perdi-te, que faço,
Não vás embora,
Puxo-te o braço,
Minh’alma chora.

Dois culpados somos,
Um só, não é verdade,
Porque ambos fomos,
A bestialidade.

Na cobrança de passados,
Pelos ciúmes sentidos,
Fomos separados,
Antes de ser unidos.

História triste e vã,
Apressada por carências,
De uma manhã,
De anos de ausências.

Em que corações,
Disponíveis tentações,
Riam de mim,
Lágrimas enfim.

Rolando de olhos tristes,
Pesam-me o semblante,
Porque já não existes,
Foste avante.

Nas asas da sorte,
Ícaro alado,
Fugindo da vida, da morte,
Do chão levantado.

terça-feira, julho 11, 2006

Ilhas de Amor


> Kapiti Island Sunset, Photo of Steven Pinker, http://pinker.wjh.harvard.edu

Na jangada da paixão,
Cheguei a uma ilha,
Na última recordação,
De uma milha.
Daquele amor,
Em que rancor,
E saudade,
Originam amizade.

Que floriu,
Onde amor havia
Que resistiu,
Quando tudo morria.

Minha alma sumiu
Raptada por alguém,
Não sei quem,
Não resistiu,
Em desvario,
Embarcou,
Naquele navio,
Que ma levou.

Para novo destino,
Belo, diferente,
Onde do desatino,
Não negligente.

Amor se ergue,
Pungente,
Fremente,
Do icebergue,
Alto que gelou,
Meu coração,
Com tensão,
Desilusão apagou.

Acesa novamente,
A chama da paixão,
Ah quente,
Quente sensação.

De abrir o coração,
Não ter medo,
Ao destino sensaborão,
Nunca cedo,
Não tenho receio,
Do que virá,
Porque na mesma irá,
Acender o seu esteio.

segunda-feira, julho 10, 2006

NAS TUAS MÃOS


> Foto daqui

Nas tuas mãos deposito a fé,
Que outrora me tiraram,
Não sei se é, ou não é,
Aquilo que encontraram.

No rio espraiado,
Meu sentir,
Meu devir,
Meu amado.

Meu cuidado,
Que procuro,
Encantado,
No futuro.

Desejo ver,
Sentir o teu calor,
Sentir os teus lábios,
Aquele tremor.

Dos amantes,
Arrebatados,
Em abraços flagrantes,
Apaixonados.

Amorosos,
Faladores,
Nervosos,
Ansiosos.

Doces culpados,
Olhares cúmplices,
Na penumbra ocultados,
De caminhos dúplices.

Meu encanto,
Desencantado,
Me encontro,
Desesperado.

Por não ser,
Dono de mim,
De ti, enfim,
Do meu coração.

Pois sim,
Na tua mão,
Esta devoção.

(Poema dedicado a todos os desencantados que têm medo de se encantar, mas que precisam disso para ser felizes. Aqui vai uma palavra de esperança).





domingo, julho 09, 2006

VIVER...



> Foto daqui

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Há dias em que nos sentimos plenos,
Só por ouvir o barulho do mar,
Por ver a luz da lua,
Abraçar o ar,
Que nos refresca o corpo,
Sabendo que somos amados,
Sabendo que amamos,
Sabendo que estamos vivos,
Que temos um futuro,
Não interessa qual,
Porque o que interessa,
É cada momento vivido,
O presente absorvente,
Que nos distrai do passado,
Que nos inibe a insegurança,
Face ao que está para vir,
Simplesmente viver, viver, viver…

sexta-feira, julho 07, 2006

D. Luís I - Subsídios para uma (re)leitura biográfica 2



> Imagem daqui, aludindo à marcha das mulheres de Paris sobre Versalhes, onde Maria Antonieta, a culpada de todos os males de Franca, residia com a sua família.

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O Século de D. Luís

O século XIX pode ser considerado, entre outros aspectos, como o século do Liberalismo e da burguesia triunfante.

Do Liberalismo porque a partir da Revolução Francesa (1789), se vão espalhando pela Europa novos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Ideais que não foram os de uma população inteira, mas sim de uma camada social, que tendia a afirmar-se perante a cada vez maior pauperização das camadas baixas da população. Estou a referir-me à burguesia de grandes comerciantes, banqueiros e industriais[i], que nos países mais desenvolvidos detinham os meios de produção, perante os operários assalariados que, face a um grande aumento demográfico vêem as suas condições de vida piorar[ii].

Em Portugal, que só experimentaria um desenvolvimento a partir de meados do século XIX, a situação era bem diferente, pois havendo uma burguesia, esta iria ocupar o lugar da nobreza terratenente, quer laica, quer religiosa, que se viu gradualmente desapropriada das suas terras devido à desamortização, “processo legislativo complexo, que se traduziu no desmantelamento de corporações e de estabelecimentos religiosos e laicos e na incorporação dos seus bens na Fazenda Nacional, nalguns casos, e, em todos, na transferência, em seguida, para o domínio privado, por meio de venda ou remição em hasta pública, dos bens imóveis considerados de mão morta”[iii]. Essa venda dos bens nacionais intensificou-se sobretudo a partir da vitória definitiva, em 1834, do Liberalismo em Portugal, posteriormente questionado pelas teses socialistas e republicanas.

Da burguesia triunfante devido à sua aptidão para o trabalho, nos países em franco desenvolvimento. Ao invés, a nossa burguesia tornou-se, com o tempo, tão ociosa como a nobreza fundiária, era uma nova aristocracia, comprando as terras por ninharias, com sua pouca vocação para o investimento. Esta vai gerar uma burguesia de gabinete, de bacharéis, formados na universidade, com vista ao funcionalismo público, emprego seguro para pessoas que não gostam de arriscar investindo. Antagonicamente, existia toda uma população analfabeta, de pequenos agricultores, frades e artesãos, que, sendo considerados, segundo as novas noções liberais, cidadãos políticos passivos, não votavam pois não podiam pagar. Estava-se num liberalismo, reconhecidamente censitário, a nível europeu, e camuflado ao nível do nosso país, devido à radical, inovadora e efémera Constituição de 1822, que não refutava mas também não consagrava aquele princípio. Por falar em constituição, é de referir que este foi o grande século do constitucionalismo, das legislações feitas em prol de toda a população de um país, reduzindo os poderes dos monarcas, que de delegados de Deus, portanto, acima da lei, passam a governar mediante a lei – e que monarca exemplar foi D. Luís, como respeitador da Constituição Política da Nação Portuguesa[iv]­.

A nossa história constitucional, durante o século de Oitocentos, é bastante rica, e preencheu e deu vida à primeira metade daquele. Em 1822 surgiu, num palco em que se movimentavam elites revolucionárias e contra-revolucionárias, a Constituição de 1822, texto radical promulgado pelo Soberano Congresso Constituinte. Este texto dificilmente se poderia impor num país com forte tradição paternalista monárquica, aliada à grande influência da religião católica. Contudo, não era com um texto que a situação de pobreza de um país devastado pelas invasões napoleónicas e pela tutoria dos aliados ingleses se resolveria. De qualquer modo este impôs-se, sendo jurado por D. João VI, e detestado por D. Carlota Joaquina e D. Miguel, símbolos do absolutismo monárquico português, insatisfeitos com o poder de veto meramente suspensivo, para além do poder simbólico. Mais tarde, em 1826, ano da morte do rei D. João VI, D. Pedro IV, abdicando em nome de sua filha D. Maria da Glória, vai, de forma contemporizadora, outorgar aos portugueses a Carta Constitucional de 1826, numa tentativa de equilibrar a soberania da nação com os poderes do rei, que aumentam até ao nível do veto absoluto, estando reconstituídos parte dos poderes efectivos da realeza, que detendo o poder moderador, estava protegida por uma câmara alta de pares do reino, nomeados pelo rei, para evitar imposições desagradáveis da outra câmara, a dos deputados eleitos.

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[i] Dreyfus, François, O Tempo das Revoluções 1787-1870, Publ. Dom Quixote, Lisboa, 1981, p. 204: “Face a estas classes tradicionais, nasce da revolução económica uma nova classe ligada à poupança, à industrialização, ao desenvolvimento do crédito e ao progresso da instrução. Porque a Revolução Industrial é ainda, no século XIX, o feito de países onde domina o protestantismo”.
[ii] Idem., p. 206: “O êxodo rural e o desenvolvimento da indústria conduzem à formação de um proletariado industrial. A sua condição de vida é miserável. São obrigados a uma jornada de trabalho de catorze a dezasseis horas”; p. 211: “E a esta sujeição do operário vem juntar-se uma vida material muito dificil. Os salários continuam muito baixos até cerca de 1850”.
[iii] Silva, António Martins da, “O Fenómeno Desamortizador e sua Inserção Histórica”, in História de Portugal, dir. de José Mattoso, Círculo de Leitores, 1993, vol. 5, p. 339.
[iv] “O Rei D. Luís e a Sociedade de Geografia de Lisboa”, in. Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, red. e admin. na S. G. L., Lisboa, série 80.ª, n.ºs 7-12, p. 157: “Como Rei, foi liberal, como homem foi bom”.

quinta-feira, julho 06, 2006

D. Luís I - Subsídios para uma (re)leitura biográfica



> Rei D. Luís I, óleo sobre tela da autoria de Machado, 1871, Palácio Nacional da Ajuda, in GODINHO, Isabel da Silveira (Coord.), Rei D. Luís I - Iconografia, Palácio Nacional da Ajuda, 1990.
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Introdução
Este é um trabalho essencialmente biográfico. Ao nível do senso comum, as biografias são relatos da vida de determinada pessoa, importante por alguma razão. Este método foi muito cultivado em Roma (os chamados retratos), e igualmente durante a Idade Média, sendo fundamentalmente biografias de Santos, pessoas cuja vida era exemplo a seguir, portanto, denominadas hagiografias. Não é, contudo, exclusivamente uma biografia, pois esta vai ser enquadrada num campo mais amplo, de enquadramento espácio-temporal, de cerimoniais e práticas comuns, imagem de uma sociedade com as suas crenças e valores[i].

Irei, de vez em quando, apresentar documentos que transcrevi, alguns deles diplomáticos, bastante privilegiados na época do positivismo, precisamente em Oitocentos, o século da História por excelência, em que houve uma exploração sistemática das fontes, sobretudo ao nível da temática política.

Foram também importantes para as minhas pesquisas alguns documentos literários, utilizados no próprio texto, testemunhos bem realistas do século XIX, apesar de se cair no risco de enveredar por pontos de vista facciosos.

Outro tipo de fontes utilizadas foram algumas memórias, concretamente as de Thomaz Mello Breyner, – quarto conde de Mafra, professor e médico de profissão –, que são um óptimo cruzamento da vida do autor com a sociedade do tempo, e sobretudo com a família real portuguesa, à qual ele esteve muito ligado, sendo companheiro de brincadeiras dos filhos de D. Luís – D. Carlos e D. Afonso. Os seus dois volumes de memórias foram-me mesmo muito úteis para apurar alguns traços psicológicos, costumes e ocupações do rei.

Foi minha estratégia, mais ou menos corrente, o cruzamento e articulação de fontes de diversos tipos, transcritas sempre de acordo com a ortografia do original.

Em suma, com este trabalho pretendo evocar uma época de mudanças, já bastante abordada, mas não do ponto de vista da realeza, que nunca foi tão esquecida como nesse período. Sendo D. Luís considerado como um homem desligado do plano material da governação[ii], num reinado considerado pacífico, mais preocupado em cultivar os seus lazeres, as suas artes (que não eram poucas), delegando os poderes políticos a diversos ministérios, dentro de um rotativismo partidário, é preciso frisar que as inovações realizadas no seu reinado contaram com a aprovação deste monarca. Ele próprio de espírito inovador, – um liberal –, estava consciente da importância e necessidade de modernização do país, tão abalado por sucessivas perturbações durante a primeira metade do século XIX.

A época de D. Luís marca uma ascendente prosperidade e prestígio portugueses, ainda que aparentes. Esse prestígio foi, a nível internacional, assegurado pelo monarca, nas suas viagens pela Europa, movimentando-se com facilidade por entre as diversas casas reais europeias, com as quais tinha, na generalidade, boas relações de amizade. Pela figura simpática e cordial do nosso rei, que se mostrou um grande embaixador de Portugal[iii], este país foi fazendo, pouco a pouco, a sua “reentrada na Europa”, que se revelava como o continente hegemónico em vias de grande desenvolvimento. E tal foi o reconhecimento que D. Luís recebeu, que se viu diversas vezes condecorado por vários soberanos estrangeiros, e não só europeus[iv].

É, portanto, meu objectivo localizar, para além de biografar, um homem na época em que viveu; deixar aqui traçados os momentos mais importantes da sua vida e da sua morte, a sua faceta de homem, de rei e de artista.
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[i] Ferrarotti, Franco, Histoire et Histoires de Vie, la méthode biographique dans les sciences sociales, Méridiens Klincksieck, Paris, 1990, p. 9: (tradução nossa) “As personagens e as suas famílias tornam-se reveladores das situações e das relações sociais, das relações numa cultura dentro dos debates da vida quotidiana”.
[ii] Almeida, Fialho de, Os Gatos, Círculo de Leitores, vol. 1, p. 56: “Neste Carnaval de Braganças é pois V. M. o único que intenta penetrar os umbrais da História sem bagagem – apenas com a sua traduçãozinha do Hamlet, a greve dos chapeleiros, o sr. José Luciano preso por uma corrente ao realejo constitucional onde há vinte e seis anos V. M. mói a sua própria marcha fúnebre. Ah. que pobreza de feitos históricos! que supressão de vícios e manias! que ausência de vultos glorificadores da sua governação [que grande mentira]!”; p. 58: “Ah, que vida monótona tem sido a de V. M. ... jantarinhos de canja magra no quarto, violoncelos quando vão artistas de S. Carlos, e como hors-d’oeuvre, a pouca vergonhazinha extramatrimonial às quintas-feiras!... V. M. carece de sair quanto antes dessa apatia”.
[iii] “Elogio Histórico de El-Rei o Senhor D. Luiz I”, por José Frederico Laranjo, in O Instituto, Imprensa da Universidade, Coimbra, volume XXXVII, 2.ª série, Julho de 1889 a Junho de 1890: p. 285: “Elle, no extrangeiro respeitado e querido dos outros soberanos”; Ver nota 4.
[iv] D. Luís I, Duque do Porto e Rei de Portugal, Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa, 1990, p. 281: “As ordens honoríficas, como forma de público apreço, desenvolveram-se no decorrer do século XVIII, embora a sua origem remonte à Antiguidade. No século XIX constituíam, factor determinante nas relações diplomáticas entre estados, com trocas mútuas de condecorações que estavam sujeitas a regras protocolares precisas. As ordens honoríficas eram frequentemente destinadas a premiar actos de bravura, em tempo de paz ou guerra, mas ganhando naturalmente profusão nos campos de batalha. No período coincidente com o reinado de D. Luís, os cortesãos eram condecorados pela sua fidelidade e competência, aproveitando-se por vezes ocasiões de especial relevo para se atribuírem as condecorações. D. Luís I foi naturalmente detentor do mais alto grau de todas as ordens portuguesas, o grão mestrado. Quanto às estrangeiras, o grande número de condecorações com que este soberano foi agraciado demonstra bem o aumento do prestígio internacional do nosso país, recuperado após décadas de guerras e instabilidade que o tinham desacreditado no contexto das nações”.

quarta-feira, julho 05, 2006

BIOGRAFIAS

> Foto da autoria de Augusto Bobone, tirada em 1860, representando alguns dos filhos de D. Maria II, com destaque para os sentados D.Pedro V e D. Antónia, e para o futuro D. Luís I à esquerda da fotografia, in Isabel da Silveira Godinho (coord.), D. Luís I, Duque do Porto e Rei de Portugal - Catálogo, 2.ª ed., Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda, 1990.
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O meu amor pela biografia (histórica) de personalidades que de alguma forma se destacaram nas sociedades em que viveram vem do meu último ano de faculdade em Coimbra, quando para terminar a Licenciatura me propus fazer a biografia de D. Luís I, antepenúltimo rei português.
As biografias têm o seu quê daquilo que muitos designam pejorativamente de petite histoire, mas são muito mais do que isso. São atractivas porque entram de facto pela vida privada do biografado, à qual, como seres curiosos que somos, não ficamos indiferentes, mas são obras centrípetas ou centrífugas, porque partem sempre de um aspecto geral até chegarem ao particular, ou do particular até chegarem ao geral.
Centrípetas são aquelas biografias que, partindo da história geral de uma determinada conjuntura desembocam numa personalidade definida, cujos traços psicológicos (e até físicos) e acções são intimamente marcados por essa mesma conjuntura. Centrífugas são aquelas que partem de uma pessoa escolhida e acabam por inevitavelmente cair numa maior complexidade conjuntural que permita compreender o porquê de fulano ou sicrano ter agido desta forma e não de outra forma qualquer.
A meu ver todas as biografias têm um quê de centrífugo e de centrípeto, porque se umas vezes parte do particular em direcção ao contextual, logo a seguir partem do contextual em direcção ao particular.
São, a meu ver, formas muito criativas e equilibradas, emotivas e despenalizadoras, cativantes, de escrever História. Criativas e equilibradas porque, de forma engenhosa, conseguem alternar o peso do inevitável e rigoroso discurso historiográfico (económico, social, político, ideológico) com um discurso em que a leveza é pautada pelos pormenores da vida quotidiana dos “retratados”, muitas vezes em situações de autêntica hilaridade ou quase intimidade (digo quase porque nunca se fez biografia de alguém que não saísse da esfera privada ou do anonimato). Emotivas e despenalizadoras porque entre o biógrafo e o biografado se desenvolve uma relação íntima que culmina com quase uma adulação do primeiro em relação ao segundo, independentemente de este se ter destacado por feitos reprováveis. Cativantes porque acredito que, respondendo à curiosidade que caracteriza qualquer ser humano face à esfera privada dos outros seres humanos, as biografias trazem mais leitores para a História.
Este pequeno artigo é o prólogo dos meus próximos artigos, que serão o desdobramento da biografia de D. Luís I, ainda que revista posteriormente, que eu desenvolvi em 1996. Já lá vão precisamente 10 ANOS.